Gestão

Abramilho quer menos burocracia, infraestrutura robusta e Plano Safra de longo prazo

Produtores de milho cobram crédito menos travado, salto em armazenagem e um Plano Safra plurianual para dar previsibilidade ao investimento no campo.

16 de agosto de 2026 4 min de leitura
Abramilho quer menos burocracia, infraestrutura robusta e Plano Safra de longo prazo

A Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho) defende um pacote mais robusto para o próximo ciclo do agro: menos burocracia no crédito, salto em infraestrutura de armazenagem e transporte, e criação de um Plano Safra plurianual. A ideia é dar previsibilidade ao produtor para planejar investimentos em silos, irrigação e logística, reduzindo perdas e melhorando a competitividade do milho brasileiro.

O que aconteceu

Em evento sobre o futuro do agro, lideranças da Abramilho voltaram a cobrar mudanças estruturais na política agrícola. O recado ao governo e aos candidatos é claro: o modelo atual, renovado ano a ano, não acompanha o ciclo de investimentos necessários para ampliar a infraestrutura no campo.

A entidade afirma que o produtor enfrenta linhas de crédito com muitas exigências, prazos curtos e incerteza de recursos a cada safra. Para obras de armazenagem, energia e irrigação, esse formato é considerado insuficiente. Um programa plurianual, com regras estáveis e orçamento garantido, é visto como essencial para destravar projetos maiores.

Outro ponto central é o déficit de armazenagem de grãos. Estimativas de governo e setor privado apontam que o Brasil ainda não consegue armazenar toda a produção, o que pressiona preços, logística e aumenta o risco de perdas pós-colheita. A Abramilho quer que a infraestrutura deixe de ser “linha complementar” e passe a ser eixo principal da política de crédito.

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Por que importa para o agro

Para o produtor de milho, menos amarras no crédito e mais investimento em armazenagem significam maior poder de negociação. Com silo próprio ou em cooperativa, ele pode segurar o produto e vender em momentos de melhor preço, em vez de entregar toda a safra sob pressão de espaço.

A falta de infraestrutura aumenta custo de frete, fila em porto e risco de desconto na indústria. Um Plano Safra plurianual dedicado a armazenagem, transporte e energia no campo pode reduzir gargalos logísticos, melhorar margens e tornar o milho brasileiro mais competitivo frente a concorrentes como Estados Unidos e Argentina, monitorados por instituições como USDA.

Dados e contexto

O déficit de armazenagem é tema recorrente em estudos de Conab e Embrapa, que apontam diferença relevante entre capacidade instalada e produção total de grãos no país. Em anos de super safra, parte do milho fica em estruturas improvisadas ou é embarcada rapidamente, comprimindo preços na colheita.

O Plano Safra 2026/2027, anunciado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), prevê R$ 525,1 bilhões para agricultura empresarial, somando custeio, comercialização e investimento. Dentro dos programas de investimento, o PCA (Programa para Construção e Ampliação de Armazéns) oferece crédito para silos com prazos longos e juros equalizados, com taxas em torno de 8% a 9,5% ao ano, dependendo do porte do projeto.

Levantamentos do setor indicam que seriam necessários investimentos bilionários em armazenagem para equilibrar a relação produção/capacidade, com prazos que vão além de um ciclo anual de Plano Safra. Por isso, a Abramilho defende separar infraestrutura de grãos das linhas tradicionais de custeio, criando um eixo próprio, estável e de longo prazo.

Ponto-chaveSituação atual
Capacidade de armazenagemInferior à produção total de grãos em vários estados
Formato do Plano SafraCiclo anual, com incerteza sobre recursos e regras a cada safra
Demanda da AbramilhoPrograma plurianual focado em infraestrutura e menos burocracia no crédito

Além da armazenagem, o setor destaca a importância de obras de acesso a portos, rodovias e ferrovias, bem como sistemas de irrigação e energia renovável nas fazendas. Para a Abramilho, esses itens devem ser tratados como investimento estratégico de Estado, não apenas como políticas pontuais.

O que observar daqui pra frente

Produtores e cooperativas devem acompanhar como governo e candidatos incorporam essas demandas nas propostas para o próximo ciclo. A sinalização de um Plano Safra plurianual, com recursos garantidos para PCA, irrigação e logística, pode abrir janela para projetos maiores em infraestrutura de milho. Se as regras seguirem instáveis e o crédito continuar travado, o risco é manter o déficit de armazenagem, pressionar preços na colheita e limitar o potencial de expansão da segunda safra.

Fontes

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