Sustentabilidade

Acelen acelera projeto bilionário de biocombustíveis na Bahia

Controlada pelo Mubadala, Acelen avança em cadeia de macaúba e biorrefinaria de US$ 3 bi para produzir 1 bi de litros anuais de combustíveis renováveis na Bahia.

23 de agosto de 2026 4 min de leitura
Acelen acelera projeto bilionário de biocombustíveis na Bahia

A Acelen Renováveis, controlada pelo fundo Mubadala Capital, entrou na fase de execução do projeto de US$ 3 bilhões para estruturar uma cadeia completa de biocombustíveis a partir da macaúba na Bahia. O plano prevê do cultivo em larga escala da oleaginosa à operação de uma biorrefinaria capaz de produzir 1 bilhão de litros por ano de combustível sustentável de aviação (SAF) e diesel renovável até 2029.

O que aconteceu

A companhia começou a movimentar as três frentes centrais do projeto: pesquisa e desenvolvimento da macaúba, implantação da cadeia agrícola e construção da biorrefinaria na Bahia. Já foram adquiridos cerca de 3 mil hectares de terras, parte da meta de 144 mil hectares destinados ao cultivo da planta.

Paralelamente, as obras da futura biorrefinaria avançam. A planta foi desenhada para usar tecnologia HEFA (Hidroprocessamento de Ésteres e Ácidos Graxos), permitindo a produção integrada de SAF e diesel renovável em escala industrial. A previsão de início de operação é agosto de 2029.

Do investimento total, US$ 1,5 bilhão estão concentrados na biorrefinaria. Esse montante foi estruturado em um financiamento com 12 instituições financeiras, lideradas pelo IFC, braço do Banco Mundial, e pelo HSBC, com participação de BNDES, BID Invest, Bradesco e Bank of China, entre outros.

Imagem

Por que importa para o agro

O projeto cria uma nova fronteira para a oleaginosa nativa macaúba, com demanda contratada para uma cadeia de até 144 mil hectares. Isso abre espaço para negócios com produtores da Bahia e de regiões vizinhas, tanto em modelos de integração quanto em arrendamentos, além de atrair empresas de insumos, logística e serviços.

Para o agronegócio, trata-se de uma oportunidade de se posicionar em um mercado de combustíveis de baixo carbono, em linha com exigências de companhias aéreas, metas de descarbonização e políticas como RenovaBio, coordenadas pelo MAPA e reguladas pela ANP. O produtor entra em uma cadeia com previsibilidade de compra e foco em longo prazo.

Dados e contexto

Acelen Renováveis concentra o projeto de transição energética da companhia, que já opera a Refinaria de Mataripe, segunda maior do país, com capacidade superior a 300 mil barris/dia, responsável por cerca de 14% da capacidade de refino nacional, segundo dados públicos da empresa e da ANP.

A nova biorrefinaria de macaúba na Bahia tem metas claras:

EtapaMeta principal
Cultivo de macaúbaAté **144 mil ha**
Produção anual**1 bi de litros** de SAF + diesel renovável
Investimento total**US$ 3 bi**
Biorrefinaria**US$ 1,5 bi** financiados por 12 instituições
Início da operaçãoAgosto de **2029**

Relatórios internacionais do USDA e da IATA apontam que o SAF é um dos maiores vetores de redução de emissões na aviação, com potencial de corte de até 80% das emissões de CO₂ em comparação ao querosene fóssil, dependendo da matéria-prima e do processo industrial.

No Brasil, a Conab estima produção crescente de óleos vegetais para biocombustíveis, puxada por soja e milho. A entrada da macaúba adiciona uma cultura perene, adaptada a condições tropicais, com potencial de uso em áreas degradadas, tema acompanhado por estudos da Embrapa em sistemas agroflorestais e recuperação de pastagens.

O que observar daqui pra frente

Produtores e empresas do agro devem acompanhar os modelos de contratação que a Acelen irá consolidar para ampliar dos atuais 3 mil hectares até a meta de 144 mil hectares, além dos requisitos técnicos para produção de macaúba em escala comercial. Pontos-chave serão a definição de preços, contratos de longo prazo, condições de crédito rural e possíveis incentivos associados à agenda de carbono e à integração com programas como RenovaBio, além da evolução regulatória para SAF e diesel renovável no Brasil.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo