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ANDA vê avanço com Profert, mas cobra mais apoio à indústria de fertilizantes

Programa Profert é visto como avanço pela ANDA, mas associação alerta que sem crédito e novas medidas a produção nacional de fertilizantes não deve ganhar escala.

14 de setembro de 2026 5 min de leitura
ANDA vê avanço com Profert, mas cobra mais apoio à indústria de fertilizantes

O setor de fertilizantes recebeu o Profert como um passo importante para fortalecer a indústria nacional, mas a ANDA (Associação Nacional para Difusão de Adubos) alerta que o programa, sozinho, não garante expansão rápida da produção doméstica. O ponto central é o acesso a crédito e a criação de condições práticas para destravar novos investimentos, reduzir a dependência das importações e dar mais segurança ao produtor.

O que aconteceu

O Senado aprovou o Profert (Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes), que prevê incentivos fiscais e financeiros para construção, modernização e reativação de fábricas no país. O projeto foi estruturado com foco em créditos fiscais, linhas de financiamento de longo prazo e metas de mistura obrigatória de fertilizantes produzidos no Brasil nos adubos vendidos ao mercado.

Na nova lei, a mistura mínima de fertilizantes nacionais começa em 2% a partir de julho de 2027 e sobe gradualmente até 10% em 2037, com possibilidade de avançar para 10% a 30% a partir de 2038, conforme avaliação técnica do Confert, comitê que acompanhará o programa. Há ainda previsão de créditos fiscais de até 20% dos investimentos, com teto anual e duração concentrada entre 2027 e 2031, além de isenções específicas como o AFRMM para projetos enquadrados.

A ANDA reconhece o avanço institucional do Profert, mas afirma que o desenho atual é mais voltado ao longo prazo, enquanto a indústria enfrenta hoje crise de crédito, custos altos de capital e incerteza regulatória. Por isso, a associação pede medidas adicionais, especialmente em financiamento acessível, ambiente regulatório estável e apoio à retomada de plantas já existentes.

Por que importa para o agro

O Brasil importa cerca de 80% dos fertilizantes que consome, o que deixa o produtor exposto à volatilidade do câmbio, da logística internacional e de crises geopolíticas. Um programa como o Profert, se bem executado, pode reduzir gradualmente essa dependência, melhorar previsibilidade de oferta e suavizar choques de preço que afetam diretamente o custo de produção da soja, milho, café, algodão e das principais culturas.

Para o produtor, o ponto-chave é se o Profert vai se traduzir em mais oferta interna, preços menos voláteis e contratos de longo prazo com a indústria nacional. Sem ampliação efetiva da capacidade produtiva e sem crédito em volume suficiente, o risco é o programa ficar restrito a poucos projetos e a dependência das importações continuar alta, mantendo o agro vulnerável a cenários externos.

Dados e contexto

Hoje, o Brasil está entre os maiores consumidores globais de fertilizantes e a demanda segue em alta, acompanhando a expansão da área plantada e o ganho de produtividade. A ANDA informou que as entregas ao mercado brasileiro passaram de 12,30 milhões de toneladas no primeiro quadrimestre de 2026, alta de 1,6% em relação ao mesmo período de 2025, sinalizando consumo firme.

O Profert foi concebido em linha com o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), coordenado pelo MAPA e outros ministérios, que projeta elevar a participação da produção nacional para 45% a 50% da demanda interna até 2050. A lógica é combinar incentivos à indústria com estímulos à pesquisa mineral, infraestrutura logística e desenvolvimento de bioinsumos.

A lei do Profert estabelece metas claras de mistura obrigatória, que, em resumo, seguem a seguinte trajetória:

Ano-basePercentual mínimo de mistura nacional
20272%
203710%
A partir de 203810% a 30% (definido pelo Confert)

Além das metas, o projeto prevê até R$ 10 bilhões em créditos fiscais em cinco anos para novos projetos industriais, expansão e modernização, segundo estimativas do Senado. Há também previsão de destinação de recursos da União ao BNDES para linhas de crédito específicas à indústria de fertilizantes enquadrada no Profert.

O que observar daqui pra frente

Para o agro, o ponto de atenção é se o governo vai detalhar rapidamente as regras de acesso aos incentivos, liberar crédito em condições competitivas e acelerar a habilitação de projetos no Profert. Produtores e cooperativas devem acompanhar a abertura de novas plantas, eventuais parcerias regionais com a indústria e movimentos de preço ao longo da safra: isso vai mostrar se o programa virou oferta real de fertilizantes brasileiros ou se continua apenas no papel.

Fontes

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