ANTT aprova edital da Rota Agro Central e marca leilão para dezembro

Concessão de 887,6 km entre Cuiabá e Vilhena avança com edital aprovado pela ANTT e leilão marcado para 17 de dezembro na B3.

09 de setembro de 2026 4 min de leitura
ANTT aprova edital da Rota Agro Central e marca leilão para dezembro

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aprovou o edital de concessão da Rota Agro Central, corredor rodoviário que liga Cuiabá (MT) a Vilhena (RO), com 887,6 km das BR-070, BR-174 e BR-364.[1][6] O leilão está marcado para 17 de dezembro de 2026, na B3, em São Paulo, e prevê mais de R$ 6 bilhões em investimentos para ampliar a capacidade e a segurança da via.[1][2]

O que aconteceu

A ANTT publicou no Diário Oficial da União a deliberação que aprova o Edital de Concessão nº 2/2026 e seus anexos, formalizando a abertura do processo de licitação da Rota Agro Central.[9][11] O projeto integra o Lote Centro Norte 3 (CN3) e estabelece a transferência da administração do trecho à iniciativa privada por um prazo de 30 anos, mediante investimentos obrigatórios em obras e serviços.[10][11]

O edital define que o leilão será realizado na B3, com critério principal de disputa baseado no menor valor de tarifa de pedágio, associado a mecanismos de aporte em função do deságio oferecido pelas proponentes.[2] A aprovação do edital não inicia de imediato a cobrança de pedágio nem a operação privada; isso só ocorre após o leilão, homologação do resultado e assinatura do contrato com a concessionária.[11]

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O pacote de investimentos estimado gira em torno de R$ 6,13 bilhões em obras de ampliação e modernização, além de despesas operacionais ao longo da concessão.[1][4] Estão previstos serviços 24 horas, implantação de tecnologia de pedágio eletrônico (free flow) em trechos selecionados e intervenções urbanas para reduzir conflitos de tráfego em áreas próximas às cidades.[1][4][14]

Por que importa para o agro

A Rota Agro Central é um dos principais corredores de escoamento da produção de grãos e carnes do Centro-Norte, conectando áreas de forte expansão agrícola em Mato Grosso e Rondônia aos portos e centros consumidores.[1][6] A melhora da qualidade da via reduz atrasos, avarias de carga e custos de manutenção de caminhões, o que impacta diretamente o custo logístico por tonelada para soja, milho, algodão e carnes.

Com rodovias mais seguras e fluídas, a expectativa é de menor tempo de viagem, redução de acidentes e maior previsibilidade de fretes, fatores fundamentais para planejamento de safra e contratos de exportação. Estudos setoriais indicam que a logística responde por parcela relevante do custo total do produtor, especialmente em estados distantes dos portos; qualquer ganho de eficiência em corredores como a Rota Agro Central tende a melhorar a competitividade externa dos produtos brasileiros, em linha com dados de Conab e USDA sobre participação do frete na formação de preço FOB.

Dados e contexto

IndicadorValor / Informação
Extensão concedida**887,6 km** entre Cuiabá (MT) e Vilhena (RO)[1][6][11]
Rodovias envolvidasBR-070/MT, BR-174/MT e BR-364/MT/RO[1][6][10]
Prazo da concessão**30 anos**[10][11]
Investimentos estimados**R$ 6,13 bilhões** em obras; cerca de R$ 5,99 bilhões em capex, mais opex ao longo do contrato[1][4][11]
Data do leilão**17 de dezembro de 2026**, na B3, em São Paulo[1][2][3][14]
Critério de disputaMenor tarifa de pedágio com regras de aporte por deságio[2]

Segundo o Ministério dos Transportes, o Plano de Outorga para a concessão da Rota Agro Central já havia sido aprovado em 2025, após análise da ANTT e envio ao Tribunal de Contas da União (TCU).[6][12][13] O TCU avaliou a modelagem e os impactos da desestatização dos trechos, incluindo obrigações de investimentos e parâmetros de qualidade de serviço.[10][15]

Mato Grosso e Rondônia estão entre os estados com maior crescimento na produção de grãos e proteína animal, conforme séries históricas de Conab e IBGE. A combinação de aumento de volume e infraestrutura limitada torna corredores como a Rota Agro Central críticos para o escoamento, especialmente em períodos de pico de safra.

O que observar daqui pra frente

Produtores, tradings e transportadoras devem acompanhar de perto o andamento do leilão, os valores de pedágio propostos e o cronograma de obras que será assumido pela concessionária vencedora. O principal ponto de atenção é o equilíbrio entre tarifa e nível de serviço: pedágios mais altos podem pressionar o custo do frete, mas atrasos em investimentos mantêm gargalos logísticos. A forma como o contrato tratará metas de desempenho, prazos de duplicação e adoção de tecnologias de pedágio eletrônico será determinante para o ganho efetivo de competitividade do agro na região.

Fontes

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