Manejo

Avicultor usa maçarico para aquecer 400 pintinhos após queda de energia

Produtor de Uberaba improvisou o aquecimento durante mais de 15 horas sem eletricidade e evitou a morte de 400 pintinhos.

04 de novembro de 2026 3 min de leitura
Avicultor usa maçarico para aquecer 400 pintinhos após queda de energia

Um avicultor de Uberaba, no Triângulo Mineiro, improvisou o aquecimento de 400 pintinhos com maçaricos após um temporal interromper o fornecimento de energia. A área rural ficou mais de 15 horas sem eletricidade. Segundo o produtor, nenhuma ave morreu.

O que aconteceu

Pedro Henrique de Oliveira perdeu o funcionamento dos equipamentos responsáveis pelo aquecimento do aviário durante a noite de segunda-feira (2). Sem energia elétrica, ele utilizou maçaricos para manter o ambiente aquecido até a retomada do serviço.

A interrupção foi provocada pela queda de um eucalipto sobre a rede elétrica, segundo a Cemig. A chuva forte atingiu a região de Uberaba e deixou propriedades rurais sem fornecimento por várias horas.

O caso mostra a vulnerabilidade de instalações avícolas que dependem exclusivamente da rede elétrica. Em lotes jovens, poucas horas sem controle térmico podem causar estresse, queda no consumo de ração, problemas respiratórios e mortalidade.

Por que importa para o agro

Pintinhos têm capacidade limitada de controlar a própria temperatura corporal. Por isso, o aquecimento é uma das tarefas mais críticas nos primeiros dias de criação. A Embrapa recomenda ambiente próximo de 30ºC a 32ºC no alojamento, com redução gradual conforme o crescimento das aves.

O improviso evitou a perda imediata do lote, mas o uso de maçarico dentro do aviário envolve riscos de incêndio, queimaduras, intoxicação por gases e aquecimento irregular. A solução deve ser tratada como emergência, não como substituta de campânulas a gás, lenha ou sistemas elétricos dimensionados para a granja.

Para o produtor, o episódio reforça a necessidade de um plano de contingência. Gerador, combustível armazenado com segurança, lanternas, termômetros e manutenção preventiva podem reduzir perdas durante temporais e falhas na rede.

Dados e contexto

A temperatura precisa ser monitorada no nível das aves, e não apenas na altura do operador. A distribuição dos pintinhos também indica a condição do ambiente: aves agrupadas sugerem frio ou corrente de ar; aves afastadas da fonte de calor podem estar sofrendo com excesso de temperatura.

Fase de criaçãoFaixa de referência
Alojamento30ºC a 32ºC
Primeira semanaCerca de 30ºC, com redução gradual
Segunda semanaAproximadamente 28ºC a 29ºC
Terceira semanaAproximadamente 26ºC a 27ºC
Fase adultaCerca de 22ºC, conforme o sistema de criação

As recomendações variam conforme idade, linhagem, umidade, ventilação, densidade e condição da cama. A Embrapa orienta ligar os aquecedores antes da chegada das aves e estabilizar a temperatura do aviário previamente.

O que observar daqui pra frente

Produtores devem revisar geradores, quadros elétricos, cabos e fontes alternativas de calor antes do período de chuvas. Também é necessário manter ventilação mínima para evitar acúmulo de fumaça e gases. O comportamento das aves, a leitura de termômetros e o registro de quedas de energia ajudam a decidir rapidamente quando intervir.

Fontes

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