Sustentabilidade

Brasil e China podem unificar regras para soja e carne livres de desmatamento

Protocolo defendido pelo WRI pode padronizar critérios para soja e carne e reduzir barreiras comerciais nas exportações ao mercado chinês.

28 de julho de 2026 3 min de leitura
Brasil e China podem unificar regras para soja e carne livres de desmatamento

Brasil e China discutem um protocolo comum para compras de soja e carne bovina sem desmatamento. A avaliação do WRI é que a medida pode reduzir divergências técnicas entre compradores, governos e empresas, além de facilitar o comércio de commodities brasileiras com exigências socioambientais mais claras.

O que aconteceu

O WRI defende que a solução não está em criar nova lei, mas em integrar regras já existentes em um protocolo unificado. A proposta busca uma linguagem técnica comum para medir legalidade, rastreabilidade e critérios de desmatamento nas cadeias de soja e carne.[1][2]

Segundo o instituto, o primeiro passo é reconhecer a legalidade como base da verificação. Isso inclui Código Florestal, CAR ativo, ausência de desmatamento ilegal, inexistência de embargos ambientais e checagem de trabalho análogo à escravidão, entre outros pontos.[2]

A proposta também inclui critérios mais avançados para cadeias com exigência de desmatamento e conversão zero. Nesse caso, a rastreabilidade precisa alcançar fornecedores diretos e indiretos, com ferramentas oficiais e validação científica dos dados.[1][2]

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Por que importa para o agro

Se a China adotar um padrão comum de verificação, o exportador brasileiro pode enfrentar menos ruído regulatório e mais previsibilidade comercial. Isso tende a beneficiar principalmente soja e carne, dois segmentos sob pressão crescente por comprovação de origem e conformidade ambiental.[1][5]

Para o produtor, o efeito prático é a valorização de quem já cumpre exigências ambientais e consegue provar isso com documentação e rastreabilidade. Para frigoríficos, tradings e cooperativas, o protocolo pode reduzir custo de validação, desde que os sistemas de controle sejam compatíveis com o que já existe no Brasil.[1][2]

Dados e contexto

  • O WRI cita US$ 44,6 bilhões em jogo nas cadeias ligadas ao tema, segundo a reportagem da Exame.[1]
  • Entre as prioridades estão o uso da propriedade rural como unidade de monitoramento, e não só da área plantada.[1]
  • A proposta prevê uso de bases oficiais e cientificamente validadas, como CAR e registros ambientais.[1][2]
  • Na pecuária, a rastreabilidade de fornecedores indiretos é apontada como um dos maiores desafios.[1][2]
  • O guia lançado na China reconhece a legislação brasileira como referência central para avaliar legalidade e sustentabilidade.[5]
TemaDireção do protocolo
LegalidadeCódigo Florestal, CAR e ausência de irregularidades
RastreabilidadeDiretos e indiretos, sobretudo na pecuária
VerificaçãoBases oficiais e dados validados
ConformidadeRemediação para quem corrigir falhas

A discussão também dialoga com a pressão externa sobre cadeias livres de desmatamento. A União Europeia adiou a aplicação da EUDR para grandes operadores para 30 de dezembro de 2026, o que amplia a disputa por padrões de comprovação entre mercados.[7]

O que observar daqui pra frente

O ponto central será saber se o protocolo ficará só no plano técnico ou se virará referência operacional para compras chinesas. Se houver adesão de importadores, certificadoras e tradings, o modelo pode acelerar negócios; se faltar integração de dados e rastreabilidade, a implementação tende a avançar de forma desigual. O mercado vai monitorar, sobretudo, como serão tratados fornecedores indiretos, a checagem por propriedade rural e os mecanismos de correção para quem ficar fora do padrão.[1][2][5]

Fontes

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