Manejo

Brasil registra alta de 215% em espécies exóticas de moluscos em 15 anos

Inventário nacional aponta aumento acelerado de moluscos exóticos no Brasil, com riscos crescentes para lavouras, aquicultura e abastecimento de água.

25 de julho de 2026 4 min de leitura
Brasil registra alta de 215% em espécies exóticas de moluscos em 15 anos

O número de espécies exóticas de moluscos registradas no Brasil saltou de 26 para 82 em 15 anos, aumento de 215%, segundo o primeiro inventário nacional sobre o grupo.[1] A expansão dessas espécies, muitas com potencial invasor, acende alerta para impactos em lavouras, aquicultura, infraestrutura hídrica e biodiversidade, especialmente em regiões produtivas com alta dependência de irrigação.[1][3]

O que aconteceu

O levantamento reúne dados coletados entre 2008 e 2023 em diferentes biomas e bacias do país, consolidando informações antes dispersas em estudos regionais.[1] O trabalho identifica espécies terrestres, de água doce e marinhas, incluindo moluscos usados em aquarismo, cultivo e transporte marítimo, que acabam se estabelecendo em ambientes naturais.[1]

Parte dessas espécies já apresenta comportamento invasor, com populações crescentes e ampla distribuição em rios, reservatórios e áreas urbanas.[1][5] Casos como o mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei) e moluscos do gênero Corbicula mostram capacidade de colonizar estruturas hidráulicas, competir com espécies nativas e alterar o funcionamento de ecossistemas aquáticos.[5]

O inventário integra o Relatório Temático sobre Espécies Exóticas Invasoras no Brasil, que estima mais de 500 espécies exóticas atualmente invadindo ecossistemas do país, entre animais, plantas e outros grupos.[3][4] O estudo sobre moluscos detalha rotas de introdução, nível de disseminação e lacunas de monitoramento, em especial em áreas de uso intensivo de água para agricultura e energia.[1][3]

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Por que importa para o agro

Moluscos exóticos invasores podem obstruir canais de irrigação, tubulações, filtros e estruturas de captação de água, elevando custos de manutenção em propriedades rurais e perímetros irrigados.[5] Em reservatórios usados para abastecimento e geração de energia, o acúmulo de organismos como o mexilhão-dourado aumenta a necessidade de limpeza, com reflexos diretos sobre a confiabilidade do fornecimento de água ao campo.[5]

Na aquicultura, espécies exóticas podem competir com organismos nativos, alterar a qualidade da água e servir de vetores para doenças, impactando tanques de peixes, camarões e outros cultivos.[3][5] A presença de moluscos em áreas agrícolas também interfere em práticas de manejo, exigindo ajustes em monitoramento de pragas, biosegurança e no uso de insumos em sistemas integrados de produção.

Dados e contexto

O inventário nacional registra o seguinte quadro para moluscos exóticos:

IndicadorSituação levantada
Espécies exóticas de moluscos há 15 anos**26** espécies[1]
Espécies exóticas de moluscos hoje**82** espécies[1]
Variação no período**+215%**[1]
Espécies exóticas invasoras no Brasil (todos grupos)**>500** espécies[3]

Estudos anteriores já apontavam quatro espécies de moluscos exóticos invasores com ampla distribuição em ambientes aquáticos: Corbicula fluminea, Corbicula largillierti, Melanoides tuberculata e Limnoperna fortunei.[5] Esses organismos são recorrentes em rios e reservatórios ligados a agricultura irrigada, hidroenergia e abastecimento, reforçando a necessidade de planos de manejo integrados.[5]

O relatório nacional sobre espécies exóticas invasoras, coordenado por pesquisadores e instituições como a Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES), destaca que medidas de prevenção são mais eficientes e menos custosas que ações de controle após a instalação das espécies.[3][4] O mapeamento detalhado de moluscos exóticos é um passo para apoiar políticas públicas e estratégias de gestão de risco em setores como agro, energia e saneamento.[1][3]

O que observar daqui pra frente

Produtores, cooperativas e gestores de irrigação devem acompanhar de perto a presença de moluscos em canais, reservatórios e estruturas de captação, sobretudo em áreas com histórico de espécies invasoras.[5] A tendência é de maior pressão regulatória e técnica por monitoramento, protocolos de biosegurança e planejamento de contingência, abrindo espaço para soluções em manejo, infraestrutura e serviços especializados de controle biológico e limpeza industrial.

Fontes

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