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China deve retomar compras de carne bovina brasileira entre outubro e novembro

Abiec projeta retomada das compras chinesas de carne bovina entre outubro e novembro, mirando a cota de importação de 2027 e reacendendo o ânimo do mercado pecuário.

17 de setembro de 2026 4 min de leitura
China deve retomar compras de carne bovina brasileira entre outubro e novembro

As exportações de carne bovina brasileira para a China devem ganhar ritmo entre meados de outubro e novembro, segundo avaliação de Roberto Perosa, presidente da Abiec. O movimento mira o abastecimento da nova cota chinesa de importação para 2027, com tarifa reduzida, e tende a reativar abates de gado padrão China e melhorar a fluidez das vendas externas.

O que aconteceu

Após meses de desaceleração nos embarques, a China deve iniciar novas negociações com frigoríficos brasileiros nas próximas semanas, preparando compras que serão embarcadas a partir de novembro e chegarão ao mercado asiático em janeiro de 2027. A estratégia é alinhar produção, trânsito marítimo e desembaraço dentro do novo período de cota.

Perosa afirma que o “momento das novas negociações” começa em meados de outubro, com intensificação em novembro, quando os frigoríficos ajustam escala para atender o perfil exigido pelo mercado chinês: animais jovens, até cerca de 30 meses, e padronização rigorosa de carcaça e sanidade. A expectativa é de normalização gradual dos embarques dentro da cota anual.

Por que importa para o agro

A retomada das compras chinesas é decisiva para o produtor brasileiro porque a China responde, em anos recentes, por cerca de 50% a 55% do volume exportado de carne bovina, segundo dados da própria Abiec. Quando esse destino reduz o ritmo, o preço do boi gordo perde sustentação e a escala de abate encolhe; com o retorno das negociações, o mercado volta a ter um importante escoadouro.

Para a indústria, o calendário da cota chinesa define planejamento de abate, uso da capacidade instalada e negociações com pecuaristas. Retomar embarques em novembro, mirando chegada em janeiro, tende a melhorar margens e reduzir o risco de excesso de oferta no mercado interno, ajudando a estabilizar preços ao longo da cadeia.

Dados e contexto

Nos últimos anos, a China consolidou-se como principal destino da carne bovina brasileira, com participação próxima ou superior a 1 milhão de toneladas anuais e faturamento de vários bilhões de dólares, conforme balanços recentes da Abiec.

A estrutura básica da relação comercial inclui:

IndicadorSituação recente
Participação da China nas exportações brasileirasCerca de **54%** em alguns anos recentes
Volume exportado para a ChinaMais de **1 milhão de toneladas/ano**
Faturamento estimadoAproximadamente **US$ 4,8 bilhões** em períodos recentes

A cota chinesa com tarifa reduzida tem limite anual em volume, e, quando atinge 100%, os embarques tendem a perder ritmo até a renovação no ano seguinte. A expectativa da Abiec é preencher a cota de 2027 rapidamente, possivelmente entre março e abril, caso as negociações de outubro e novembro avancem como previsto.

Além disso, missões técnicas e comerciais de entidades como Abiec e ApexBrasil na Ásia vêm reforçando a promoção da carne bovina brasileira e buscando ampliar o portfólio de produtos, incluindo miúdos e cortes de maior valor agregado. Esse trabalho sustenta o acesso ao mercado e ajuda a mitigar impactos de investigações ou medidas de salvaguarda conduzidas pelo governo chinês.

O que observar daqui pra frente

Produtores e frigoríficos devem acompanhar o ritmo das negociações em outubro, o volume efetivo de contratos fechados para embarque em novembro e qualquer mudança nas regras sanitárias ou tarifárias da China. A velocidade de preenchimento da cota de 2027, aliada à demanda interna no fim de ano, vai definir o comportamento do preço do boi gordo, a necessidade de gado padrão China e o nível de uso da capacidade dos frigoríficos ao longo do primeiro semestre de 2027.

Fontes

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