Manejo

Chuvas e frio atrasam tosquia no RS, mas safra pode chegar a 8 milhões de quilos

Clima úmido interrompe a tosquia em propriedades gaúchas, mas a produção de lã deve alcançar 8 milhões de quilos na safra.

28 de outubro de 2026 3 min de leitura
Chuvas e frio atrasam tosquia no RS, mas safra pode chegar a 8 milhões de quilos

Chuvas frequentes e temperaturas baixas estão adiando a tosquia de ovinos em propriedades do Rio Grande do Sul. Mesmo com o atraso no manejo, a Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco) estima uma produção estadual de aproximadamente 8 milhões de quilos de lã nesta safra. O clima, porém, mantém a preocupação com a qualidade da fibra e o calendário de trabalho no campo.

O que aconteceu

Em algumas regiões, as equipes responsáveis pela tosquia interromperam as atividades à espera de temperaturas mais altas e de condições secas. Em Herval, no sul do Estado, uma comparsa de esquila permanece parada enquanto os criadores aguardam uma janela de tempo adequada para retomar o serviço.

A umidade também exige cuidado no armazenamento da lã retirada. Chuvas intensas registradas em agosto acumularam entre 600 e 700 milímetros em determinados pontos do Estado. O excesso de água aumentou o risco de fungos e de alterações na coloração da fibra.

Apesar das condições adversas, a avaliação da Arco é de que os danos ficaram abaixo do inicialmente esperado. A entidade projeta que entre 2 milhões e 3 milhões de quilos possam apresentar qualidade adequada para o mercado têxtil, embora ainda exista dificuldade para medir esse volume com precisão.

Por que importa para o agro

O atraso na tosquia afeta a organização da mão de obra, o deslocamento das equipes e a comercialização da lã. O produtor precisa equilibrar o momento adequado para retirar a fibra com o risco de manter os animais por mais tempo sem o manejo, especialmente em períodos de variação térmica e alta umidade.

A qualidade define grande parte do valor recebido. Lã com umidade excessiva, manchas ou contaminação por fungos pode perder mercado ou exigir maior desconto no momento da classificação. Por isso, a espera por tempo seco pode reduzir perdas e preservar a fibra de melhor padrão.

Dados e contexto

O Rio Grande do Sul lidera a produção brasileira de lã. Segundo o IBGE, o Estado respondeu por 95,1% da produção nacional em 2024, embora tenha registrado queda de 12,6% em relação ao ano anterior.[5]

IndicadorDado
Produção estimada nesta safra8 milhões de quilos
Lã com possível valor têxtil2 milhões a 3 milhões de quilos
Participação do RS na produção nacional em 202495,1%
Acumulado de chuva em algumas regiões em agosto600 a 700 mm

A atividade enfrenta mudanças estruturais. Dados divulgados pela Embrapa apontam redução da produção de lã no Nordeste e indicam que parte da ovinocultura do Sul passou a priorizar a produção de carne, movimento que reduz o número de animais destinados à tosquia.[7]

O mercado também depende da classificação e do processamento. Cooperativas concentram etapas como limpeza, enfardamento e comercialização, enquanto parte relevante da lã gaúcha segue para compradores externos, especialmente no Uruguai.[2]

O que observar daqui para frente

A retomada da tosquia dependerá de períodos mais secos e de temperaturas favoráveis. Produtores devem priorizar galpões ventilados, separação por qualidade e armazenamento protegido contra umidade. A velocidade do serviço, a classificação da fibra e a demanda da indústria serão decisivas para transformar a produção estimada em receita.

Fontes

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