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Chuvas reduzem produção de etanol e açúcar em setembro

Excesso de chuva atrasou o processamento da cana e contribuiu para a queda da produção industrial brasileira em setembro, segundo o IBGE.

05 de novembro de 2026 3 min de leitura
Chuvas reduzem produção de etanol e açúcar em setembro

O excesso de chuva prejudicou o processamento da cana-de-açúcar e reduziu a produção de etanol e açúcar em setembro. O efeito contribuiu para a queda de 0,8% da produção industrial brasileira na comparação com agosto, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O que aconteceu

A moagem da cana foi afetada pelo aumento das precipitações nas regiões produtoras. O solo encharcado dificultou a entrada de máquinas no campo, interrompeu operações de colheita e reduziu o ritmo de abastecimento das usinas.

O impacto apareceu em dois segmentos acompanhados pela Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física. A atividade de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis recuou 4,2%, pressionada principalmente pela menor produção de etanol. Já o setor de produtos alimentícios caiu 1,7%, com a redução do açúcar entre os principais fatores negativos.

Segundo André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE, as chuvas atingiram diretamente a produção de álcool e açúcar. O segmento de biocombustíveis registrou o segundo recuo consecutivo, após queda de 0,5% em agosto.

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Por que importa para o agro

A interrupção da colheita reduz o volume de cana processado no curto prazo e pode alterar o planejamento das usinas. Quando a matéria-prima chega com atraso ou menor qualidade, a indústria precisa ajustar o ritmo de moagem e o destino da cana entre açúcar e etanol.

Para os produtores, o excesso de umidade aumenta o risco de perdas operacionais, compactação do solo e adiamento das atividades. Para o mercado, uma oferta menor de etanol pode sustentar os preços do biocombustível, enquanto a redução do açúcar limita a disponibilidade para consumo interno e exportação.

Dados e contexto

  • Produção industrial do Brasil em setembro: -0,8% ante agosto, segundo o IBGE.
  • Coque, derivados de petróleo e biocombustíveis: -4,2%.
  • Produtos alimentícios: -1,7%.
  • Queda anterior no segmento de coque, petróleo e biocombustíveis: -0,5% em agosto.
  • Principais produtos afetados: etanol e açúcar de cana.
O efeito climático ocorre em uma etapa sensível da safra, quando a regularidade da colheita define o volume processado pelas usinas. Em setembro, chuvas intensas também interromperam a colheita no Centro-Sul, atrasaram a moagem e reduziram o teor de açúcar da cana, segundo avaliação da Czarnikow.

A indústria pode recuperar parte do atraso com a extensão da moagem, desde que as condições de campo melhorem. No entanto, novas precipitações elevam o risco de cana permanecer sem colheita e de perdas de qualidade aumentarem ao longo do tempo.

O que observar daqui pra frente

O mercado deve acompanhar o retorno das operações no campo, o volume de cana ainda disponível e a capacidade das usinas de prolongar a moagem. Também serão relevantes os estoques de etanol, o mix entre açúcar e biocombustível e a evolução dos preços ao produtor. Se as chuvas persistirem, a oferta pode continuar pressionada; com clima firme, parte da produção perdida poderá ser recuperada.

Fontes

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