Clima e custos colocam produção de alho de Minas Gerais em xeque
Produtores de alho em Minas Gerais enfrentam prejuízos pesados com clima adverso, custos acima do preço de venda e risco de queda na área plantada.
Produtores de alho em Minas Gerais vivem uma crise pesada. O combo de clima irregular, custos de produção em alta e preços baixos no mercado apertou a margem e levou municípios a decretar emergência econômica no campo. O setor fala em risco de colapso, com redução de área plantada e perda de renda em uma das principais regiões produtoras do país.
O que aconteceu
A safra recente de alho foi atingida por mudanças bruscas de clima, com períodos de chuvas intensas seguidos de calor e seca, favorecendo doenças e perda de produtividade nas lavouras do Alto Paranaíba. Em São Gotardo e Ibiá, duas referências na produção de alho, as prefeituras oficializaram situação de emergência econômica no agronegócio, citando prejuízos relevantes na cultura.
Ao mesmo tempo, os custos explodiram. Levantamentos locais apontam custo de produção em torno de R$ 13,30/kg em São Gotardo e R$ 16,30/kg em Ibiá, enquanto o produtor recebe cerca de R$ 11/kg. Na prática, cada hectare de alho pode gerar prejuízo acima de R$ 70 mil, corroendo capital de giro e elevando o endividamento rural.
Outro ponto é a concorrência do alho importado, principalmente da China e Argentina, vendido ao varejo brasileiro por valores inferiores ao produzido em Minas. Produtores afirmam que acordos comerciais e decisões judiciais têm facilitado a entrada do produto estrangeiro, pressionando ainda mais as cotações internas e travando a comercialização da safra nacional.
Por que importa para o agro
A crise do alho mineiro afeta toda a cadeia de hortaliças da região. Em áreas onde o alho divide espaço com cenoura, batata, cebola e leite, o prejuízo em uma cultura reduz a capacidade de investimento nas demais, fragiliza cooperativas e coloca empregos rurais em risco. A redução da área plantada já é citada por produtores como resposta imediata ao cenário de preços abaixo do custo.
Para o mercado, o desequilíbrio abre espaço para maior dependência de importados. Se Minas Gerais, um dos polos nacionais, recua na produção, o abastecimento interno fica mais sensível à oferta externa e às oscilações cambiais. Para o produtor, isso significa menor poder de barganha e maior volatilidade de renda, mesmo em anos de clima mais favorável.
Dados e contexto
Minas Gerais responde por parcela relevante da produção brasileira de alho, com destaque para o Alto Paranaíba. Associações do setor estimam queda de 15% a 20% na área plantada de alho no Brasil em 2026, reflexo direto da combinação de excesso de oferta em 2025, preços deprimidos e custo elevado.
Em estudos recentes, a CNA mostrou que, em propriedades de alho, o custo operacional efetivo pode consumir mais de 85% da receita. Quando se somam depreciação, pró-labore e remuneração do capital, o custo total supera o valor vendido, evidenciando prejuízo estrutural para o produtor.
A inclusão do alho no Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) do Ministério da Agricultura buscou reduzir perdas por eventos meteorológicos, indicando janelas de plantio mais seguras por região. Ainda assim, anos de clima extremo seguem comprometendo produtividade e qualidade, exigindo ajustes finos de manejo, irrigação e escolha de cultivares.
Há um histórico de pressão do alho importado sobre a produção mineira. Reportagens lembram que, em outras safras, produtores do Alto Paranaíba já reduziram área plantada por não competir com o preço do alho chinês. Em 2026, o cenário se repete, agora combinado com custos internos mais altos e margens negativas.
| Indicador | Valor aproximado |
|---|
| Custo produção São Gotardo | R$ 13,30/kg | | Custo produção Ibiá | R$ 16,30/kg | | Preço médio ao produtor | R$ 11,00/kg | | Prejuízo por hectare (São Gotardo) | R$ 70 mil | | Queda prevista na área plantada Brasil | 15% a 20% |
O que observar daqui pra frente
O setor de alho deve acompanhar de perto três pontos: clima nas próximas safras, política de importação e custo dos insumos. Se não houver reequilíbrio entre custo e preço de venda, produtores tendem a reduzir ainda mais a área, migrar para outras hortaliças ou desistir da cultura. Para quem segue no alho, estratégias de diferenciação, uso intenso de informações climáticas e negociação coletiva podem ser decisivas para manter a atividade viável.
Fontes
- Canal Rural – Setor do alho em Minas Gerais enfrenta crise devido a clima e custos altos
- Estado de Minas – Municípios mineiros decretam emergência econômica no agronegócio
- Pensar Agro – Concorrência externa derruba preços e reduz plantio de alho no Brasil
- CNA Brasil – Horticultura | Alho – Campo Futuro
- G1 Globo Rural – Crise do alho: preço baixo dos importados faz agricultores brasileiros jogarem produção no lixo
- noticias.r7.com
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- globoplay.globo.com
- canalrural.com.br
- g1.globo.com
- portaldatv.com.br
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