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Clima seca a colheita do café, mas ritmo segue abaixo do ano passado

Tempo seco acelera a colheita de café no Brasil, porém trabalhos ainda estão atrasados em relação à safra anterior e à média histórica.

21 de agosto de 2026 4 min de leitura
Clima seca a colheita do café, mas ritmo segue abaixo do ano passado

A safra brasileira de café 2026/27 entrou em fase adiantada de colheita, impulsionada pelo predomínio de tempo seco nas principais regiões produtoras. Mesmo com avanço consistente nas últimas semanas, o ritmo segue abaixo do registrado em 2025 e da média dos últimos cinco anos, mantendo o mercado atento à oferta física de grãos.

O que aconteceu

Levantamentos recentes indicam que a colheita de café no Brasil já passou de 80% da área estimada, com ganho de 5 a 6 pontos percentuais em apenas uma semana em algumas medições. O clima seco facilitou o trabalho nas lavouras e terreiros, acelerando a retirada dos grãos e a etapa de secagem.

Apesar da melhora, o percentual colhido ainda está atrás dos cerca de 90% a 94% observados no mesmo período da safra passada, além de abaixo da média histórica próxima de 85%. Esse atraso é efeito direto das chuvas acima da média registradas entre junho e início de julho, que limitaram o uso de máquinas e interromperam operações em diversas regiões.

Entre os tipos de café, o canéfora (conilon/robusta) está praticamente concluído, com perto de 99% da produção colhida. Já o arábica segue mais atrasado, com algo em torno de 70% a 77% da safra retirada, bem abaixo dos mais de 90% alcançados na mesma época do ano anterior.

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Por que importa para o agro

O atraso na colheita influencia diretamente a oferta de café beneficiado e o volume disponível para exportação e indústria doméstica. Com menos grão pronto nos armazéns, compradores podem encontrar restrição pontual de produto, especialmente em cafés especiais e arábicas de melhor qualidade.

Para o produtor, o clima mais seco neste momento reduz custos com secagem artificial e tende a favorecer uma bebida de melhor padrão, o que pode elevar o valor agregado por saca. Em contrapartida, a concentração de colheita em janela mais curta aumenta a demanda por mão de obra, logística e gestão de terreiro, exigindo planejamento fino para evitar perda de qualidade.

Dados e contexto

O quadro atual resulta da combinação de chuvas acima da média em junho com a volta do tempo seco em julho e agosto. Consultorias privadas, como Safras & Mercado, e centros de pesquisa como o Cepea/Esalq, vêm apontando essa mudança de ritmo na safra 2026/27.

Principais números divulgados recentemente:

IndicadorValor aproximado 2026/27

| Colheita total Brasil | 84% da área estimada | | Colheita em igual período de 2025 | 94% da safra | | Média dos últimos 5 anos (mesmo período) | 85% | | Colheita de canéfora (conilon/robusta) | 99% da produção | | Colheita de arábica | 77% da produção |

Cooperativas como a Cooxupé, maior cooperativa de café do país, também reportam atraso. Em áreas atendidas pela entidade, a colheita gira em torno de 67%, abaixo dos níveis observados nos dois anos anteriores, embora sem indicação de problema grave de safra.

A Conab projeta safra maior de café em 2026/27 em relação a alguns anos anteriores, o que também ajuda a explicar o ritmo mais lento: quanto maior o volume previsto, mais longa costuma ser a janela de colheita, especialmente em regiões de altitude.

O que observar daqui pra frente

Nas próximas semanas, o produtor deve acompanhar a manutenção do tempo seco e o ritmo de avanço do arábica, que ainda concentra parte relevante da safra. Qualquer retorno de chuvas prolongadas pode gerar novos atrasos, pressionar a qualidade dos grãos e limitar a oferta imediata, abrindo espaço para oscilações de preço e oportunidades pontuais de negociação, sobretudo para cafés bem preparados e com boa bebida.

Fontes

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