CNA debate regras corporativas para emissões e metas climáticas
Entidades discutem como regras corporativas de emissões podem afetar empresas, produtores e cadeias do agronegócio brasileiro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) participou, em Brasília, de discussões sobre regras corporativas para medição de emissões e definição de metas climáticas. O tema pode influenciar empresas, cooperativas e fornecedores do agronegócio, especialmente com a expansão das exigências ambientais em contratos, financiamentos e mercados internacionais.
O que aconteceu
O debate tratou da criação de parâmetros para que empresas calculem, informem e reduzam suas emissões de gases de efeito estufa. A discussão envolve critérios de transparência, metas corporativas e formas de comprovar resultados ambientais.
Para o setor agropecuário, o assunto alcança toda a cadeia. As emissões podem estar associadas ao uso da terra, à produção de insumos, ao consumo de combustível, à agroindústria, ao transporte e ao armazenamento. Por isso, as exigências tendem a chegar também aos fornecedores rurais.
A CNA defende que as regras considerem as características da produção brasileira e reconheçam práticas de conservação e redução de emissões já adotadas no campo. Entre elas estão a recuperação de pastagens, o plantio direto, a fixação biológica de nitrogênio, a integração lavoura-pecuária-floresta e o uso de sistemas produtivos mais eficientes.
Por que importa para o agro
A adoção de metas climáticas por grandes empresas pode mudar critérios de compra e contratação. Produtores que fornecem para tradings, frigoríficos, usinas, cooperativas e indústrias podem ser chamados a apresentar informações sobre origem, manejo, uso da terra e emissões da propriedade.
O movimento também cria oportunidades. Sistemas que aumentam a produtividade sem ampliar a área cultivada podem melhorar a eficiência de emissões por unidade produzida. A comprovação desses resultados, porém, depende de metodologia confiável, assistência técnica e registros consistentes.
Sem regras adaptadas à realidade brasileira, pequenos e médios produtores podem enfrentar custos adicionais para medir emissões e atender auditorias. A falta de padronização também pode gerar exigências diferentes entre compradores e elevar a insegurança nos contratos.
Dados e contexto
- O Plano ABC+, coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), orienta a adoção de tecnologias de baixa emissão de carbono na agropecuária.
- A Embrapa pesquisa sistemas como integração lavoura-pecuária-floresta, recuperação de pastagens e manejo que aumenta o estoque de carbono no solo.
- A Conab acompanha a produção e os efeitos de tecnologia, clima e produtividade sobre as principais cadeias agrícolas.
- O Inventário Nacional de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa, coordenado pelo governo federal, fornece referências para as políticas climáticas brasileiras.
- Metas corporativas podem abranger emissões diretas, energia comprada e emissões indiretas da cadeia de fornecedores.
O que observar daqui para frente
As próximas discussões devem definir critérios de medição, auditoria e reconhecimento das práticas de baixa emissão. Produtores podem se preparar organizando dados de área, produtividade, insumos, combustível, rebanho, manejo do solo e recuperação de pastagens. Empresas e cooperativas que estruturarem sistemas de rastreabilidade terão mais condições de atender exigências de mercado e acessar oportunidades ligadas à economia de baixo carbono.
Fontes
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