Colheita do milho avança no norte de Mato Grosso, mas custos e armazenagem seguem como entraves
Safrinha avança com boa produtividade no norte de MT, mas chuva, custos altos e falta de armazenagem pressionam o produtor.

A colheita do milho segunda safra avança para a reta final no norte de Mato Grosso com produtividade considerada boa pelos produtores. Mas o resultado no campo vem acompanhado de mais custo, atraso operacional e dificuldade para guardar o grão, o que pressiona a margem da atividade.[1][2]
O que aconteceu
As chuvas de junho atrasaram a entrada das máquinas e empurraram parte da colheita para julho. Mesmo assim, a umidade também ajudou a manter o potencial produtivo das lavouras em bom nível, com relatos de desempenho semelhante ao da safra anterior.[2]
Em Vera, um produtor citado na reportagem colheu 1.440 hectares de milho, mas terminou o trabalho depois do planejado por causa das interrupções no campo.[2] Em Sinop e municípios vizinhos, o avanço da colheita ocorre sob um cenário parecido: bom volume colhido, porém com pressão sobre custos e comercialização.[1][3]
A principal trava, segundo a reportagem, segue sendo a falta de armazenagem adequada. Sem espaço suficiente, muitos produtores recorrem a silo-bolsa, vendem o grão abaixo do ideal ou aguardam a secagem no pé, o que aumenta o risco de perdas.[2][3]
Por que importa para o agro
O caso mostra um problema estrutural da safrinha em Mato Grosso: produzir bem não garante rentabilidade. Quando a colheita atrasa, o produtor paga mais com combustível, operação e logística, enquanto o preço do milho pode não compensar o custo extra.[2][3]
A armazenagem insuficiente também afeta a força de venda. Quem precisa escoar rápido tende a negociar em pior condição, sobretudo em regiões com logística limitada fora da porteira.[3] Isso reduz margem e amplia a dependência de estruturas temporárias para manter o grão protegido.
Dados e contexto
| Indicador | Dado |
|---|---|
| Área colhida em MT | **90,66%** até 24 de julho, segundo o Imea[6][12] |
| Ritmo na média de 5 safras | abaixo da média histórica de **92,68%** na mesma data[12] |
| Região mais avançada | Médio-Norte, com **98,03%** colhido[6][12] |
| Produção estimada 2025/26 | **57,06 milhões de toneladas**, segundo o Imea[6] |
| Produção 2024/25 | **55,434 milhões de toneladas**, recorde estadual[7] |
O Imea também aponta que o norte e o médio-norte já estavam praticamente concluídos na fase de colheita no fim de julho, enquanto outras regiões seguiam mais lentas por causa do calendário de semeadura.[14] Na comparação com a safra passada, a produção deve continuar em nível elevado, mas com recuo projetado em parte das estimativas para 2025/26.[7]
O que observar daqui pra frente
O foco agora está em três pontos: velocidade de retirada do milho das lavouras, capacidade de armazenagem nas propriedades e comportamento dos preços nas próximas semanas. Se a janela de comercialização seguir apertada, a pressão sobre a renda do produtor pode aumentar, mesmo com boa produtividade. O mercado também deve acompanhar se o excesso de oferta regional e os custos logísticos vão limitar a valorização do grão.
Fontes
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