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Conab e BNDES iniciam estudos sobre hortomercados do Leblon e Humaitá

Acordo entre Conab e BNDES abre caminho para decisões futuras sobre o uso dos hortomercados da Zona Sul do Rio, sem prever venda imediata dos imóveis.

19 de setembro de 2026 4 min de leitura
Conab e BNDES iniciam estudos sobre hortomercados do Leblon e Humaitá

A Conab e o BNDES firmaram um acordo de cooperação técnica para elaborar diagnósticos sobre os imóveis dos hortomercados do Leblon e do Humaitá, na Zona Sul do Rio de Janeiro. O objetivo é produzir estudos que orientem decisões futuras do poder público sobre o uso dessas áreas, com impacto direto na logística de hortifruti e no abastecimento regional.

O que aconteceu

O acordo foi assinado em Brasília, no gabinete do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), e tem como foco o planejamento preliminar do patrimônio imobiliário dos dois hortomercados administrados pela Conab.[1]

A cooperação tem caráter exclusivamente técnico: não há repasse de recursos financeiros entre as instituições e não são previstos custos adicionais para Conab e BNDES nessa etapa de estudos.[1]

Pelo instrumento, o BNDES ficará responsável por analisar os imóveis e propor alternativas e diretrizes, enquanto a Conab fornecerá dados, documentos, organizará a equipe técnica e fará a articulação institucional necessária ao projeto.[1]

Por que importa para o agro

Hortomercados em áreas centrais, como Leblon e Humaitá, funcionam como pontos estratégicos de distribuição de frutas, hortaliças e outros alimentos frescos para varejo de alto valor agregado. Diagnósticos bem feitos podem melhorar a eficiência logística, reduzir perdas pós-colheita e apoiar políticas de abastecimento mais estáveis para produtores e atacadistas.[1][4]

Ao definir cenários para o uso dos imóveis, o governo pode optar por reforçar a função de mercado atacadista, integrar melhor esses centros às Ceasas e redes de varejo ou buscar modelos de cogestão com prefeitura e iniciativa privada. Isso tende a afetar volumes comercializados, estrutura de custos e previsibilidade de demanda para quem produz hortifruti no estado e em regiões fornecedoras.[1][6]

Dados e contexto

A cooperação técnica entre Conab e BNDES terá vigência inicial de 18 meses, com possibilidade de prorrogação por até 60 meses.[1] Nesse período, são esperados:

  • Diagnósticos técnicos detalhados dos imóveis dos hortomercados.
  • Cenários de uso e modelos de gestão possíveis.
  • Subsídios para decisões sobre investimentos, reformas ou reconfiguração dos espaços.
A Conab já monitora preços e volumes de hortigranjeiros nas Ceasas por meio do Prohort, que reúne dados de mercados atacadistas em capitais como Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo.[4][5] Esses bancos de dados podem alimentar os estudos sobre o papel dos hortomercados cariocas dentro da rede de abastecimento.

A Zona Sul do Rio concentra consumo de alto poder aquisitivo, com hortomercados tradicionais como a Cobal do Leblon e a Cobal do Humaitá, que vêm passando por projetos de revitalização com investimentos próximos de R$ 5 milhões, com conclusão prevista até meados de 2026.[6] Isso reforça o interesse em alinhar obras físicas a uma estratégia de abastecimento moderna e financeiramente sustentável.

Ponto chaveSituação atual
Natureza do acordo Conab–BNDESCooperação técnica sem repasse de recursos nem autorização de venda imediata dos imóveis[1]
Prazo inicial18 meses, prorrogável até 60 meses[1]
Objetivo centralDiagnóstico dos hortomercados Leblon e Humaitá e diretrizes para decisões futuras do poder público[1]
Papel da ConabFornecer dados, organizar equipes e articular instituições[1]
Papel do BNDESAnalisar imóveis e propor alternativas e diretrizes técnicas[1]

O acordo não autoriza, por si só, venda, concessão, cessão ou exploração econômica dos imóveis. Qualquer decisão nesse sentido dependerá de processos específicos e novas autorizações.[1]

O que observar daqui pra frente

Produtores, atacadistas e varejistas devem acompanhar a evolução dos estudos, especialmente eventuais propostas de mudança de modelo de gestão, de perfil de atuação dos hortomercados e de integração com políticas de abastecimento urbano. Mudanças podem significar novos padrões de acesso ao mercado, revisão de contratos, alteração de fluxos logísticos e possíveis oportunidades de ampliar presença em nichos de maior valor agregado, caso os espaços sejam redesenhados para fortalecer a comercialização de hortifruti fresco.

Fontes

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