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Cooperativas aceleram expansão e ocupam mais espaço no agro brasileiro

Cooperativas agropecuárias e de crédito crescem dois dígitos, batem quase meio trilhão em faturamento e avançam sobre ativos de empresas em dificuldade.

02 de agosto de 2026 4 min de leitura
Cooperativas aceleram expansão e ocupam mais espaço no agro brasileiro

As cooperativas agropecuárias e de crédito vivem um ciclo de expansão acelerada, com crescimento de dois dígitos em 2025 e faturamento próximo de R$ 500 bilhões, segundo o Sistema OCB. Esse avanço se traduz em maior presença no campo, mais serviços ao produtor e ocupação de espaços deixados por empresas em dificuldade.

O que aconteceu

Levantamento do Sistema OCB mostra que as cooperativas do agro registraram R$ 487,3 bilhões em ingressos em 2025, alta de 11,2% sobre os R$ 438,3 bilhões de 2024.[3] O movimento marca retomada após um ano de crescimento tímido, quando o faturamento havia subido apenas 1,9%.[3]

O estudo indica que as cooperativas aproveitaram a recuperação dos preços das commodities e a queda de custos de insumos para ganhar escala, reforçar capital e ampliar investimentos em infraestrutura, indústria e serviços financeiros.[3] Com isso, passaram a responder por 57,4% de todo o faturamento do sistema cooperativista brasileiro, que somou R$ 848 bilhões.[3]

O crédito cooperativo também acelerou. Em 2025, 682 cooperativas de crédito movimentaram R$ 198,2 bilhões, crescimento de 19,8% frente aos R$ 165,4 bilhões de 2024, reforçando o papel do cooperativismo na oferta de financiamento ao produtor.[3]

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Por que importa para o agro

Para o produtor, esse avanço significa maior acesso a insumos, armazenagem, industrialização e crédito em estruturas próximas da porteira, muitas vezes com condições comerciais mais competitivas que bancos e tradings.[3][16] Em várias regiões, cooperativas já concentram a compra da produção, o fornecimento de tecnologia e a organização logística.

A expansão também redesenha o mapa empresarial do agro. Grandes cooperativas têm usado seu caixa para adquirir ativos de empresas em crise e ocupar mercados antes dominados por grupos privados.[12][20] Esse movimento amplia o poder de negociação das organizações cooperativas em cadeias como grãos, leite, carnes e insumos, influenciando preços, contratos e padrões de serviço.

Dados e contexto

Indicador (Sistema OCB)20242025
Faturamento cooperativas do agro**R$ 438,3 bi**[3]**R$ 487,3 bi** (+11,2%)[3]
Faturamento sistema cooperativista total**R$ 848 bi**[3]
Participação do agro no sistema cooperativista**57,4%**[3]
Cooperativas de crédito (faturamento)**R$ 165,4 bi**[3]**R$ 198,2 bi** (+19,8%)[3]

Segundo o Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026, o faturamento das cooperativas agropecuárias saltou de R$ 160,1 bilhões em 2020 para R$ 487,3 bilhões em 2025, refletindo um ciclo de normalização de mercado após forte volatilidade de preços e custos nos últimos cinco anos.[3]

Vídeo produzido pelo AgFeed mostra que o cooperativismo agropecuário movimentou R$ 438 bilhões em 2024, com sobras superiores a R$ 30 bilhões devolvidas aos cooperados.[16] O modelo responde por mais de 50% da produção nacional de grãos e está presente em praticamente todas as principais cadeias do país.[16]

Ao mesmo tempo, cooperativas como a Aliança Agrícola do Cerrado avançam sobre ativos de empresas como a Belagrícola no Paraná, em meio a dificuldades financeiras dessas companhias, reforçando a estratégia de ocupar espaços deixados por grupos privados.[12][20]

O que observar daqui pra frente

Produtores e empresas devem acompanhar a continuidade desse ciclo de consolidação cooperativa, que pode trazer oportunidades de melhor remuneração, acesso a crédito e serviços, mas também maior concentração regional de mercado. A capacidade de gestão, governança e investimento das cooperativas será decisiva para transformar esse crescimento em competitividade sustentável e em ganho real para os cooperados.

Fontes

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