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Crédito rural encolhe 26% e acende alerta no campo

Financiamento à produção agropecuária cai 25,8% no Brasil e quase 30% no RS, elevando riscos para custos, produção e preços dos alimentos.

15 de setembro de 2026 4 min de leitura
Crédito rural encolhe 26% e acende alerta no campo

O crédito rural destinado ao financiamento da produção agropecuária caiu 25,8% em 12 meses no Brasil, segundo nota técnica da Farsul baseada em dados do Banco Central. A retração é ainda mais forte no Rio Grande do Sul, onde a área financiada recuou 29,3%, ampliando a preocupação com custos de produção, rentabilidade e oferta de alimentos.

O que aconteceu

Levantamento da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) mostra que a área custeada com crédito rural no país caiu de 34,2 milhões de hectares em julho de 2025 para 25,4 milhões de hectares em julho de 2026, uma redução próxima de um terço.[1]

No Rio Grande do Sul, a queda foi mais intensa. A retração de 29,3% na área financiada supera a média nacional e atinge principalmente produtores que dependem de linhas de custeio para plantar e colher.[1][12]

Além da redução na área financiada, houve mudança na composição da carteira. A inadimplência média do crédito rural no Brasil subiu de 11,8% em julho de 2024 para 23,5% em julho de 2026, enquanto no RS passou de 28,6% para 41,3%, quase metade da carteira, indicando maior risco para bancos e produtores.[1]

Por que importa para o agro

Menos crédito e inadimplência mais alta significam restrição de capital de giro para custeio, investimento e comercialização. Produtor com acesso limitado a financiamento tende a reduzir área plantada, cortar tecnologia e adiar investimentos, o que pode afetar produtividade e qualidade.

Para o mercado, a combinação de menos crédito, maior risco e juros elevados aumenta o custo financeiro de toda a cadeia. Isso tende a pressionar margens do produtor e, em alguns segmentos, pode chegar ao consumidor na forma de preços mais altos de alimentos, especialmente em culturas com forte dependência de crédito, como grãos e pecuária intensiva.[1][15]

Dados e contexto

De acordo com a Farsul, o país vive a maior crise de crédito rural desde o Plano Real, com forte queda em recursos de custeio e investimento já no primeiro trimestre da safra 2025/26.[12]

No Brasil:

  • Área financiada: 34,2 milhões ha (jul/2025) → 25,4 milhões ha (jul/2026).[1]
  • Queda no financiamento: 25,8% em 12 meses.[1]
  • Inadimplência média: 11,8% → 23,5% em dois anos.[1]
No Rio Grande do Sul:
  • Queda da área financiada: 29,3%, acima da média nacional.[1]
  • Inadimplência: 28,6% → 41,3%, quase metade da carteira.[1]
  • Farsul aponta retração de 23% nos recursos de custeio e de 44% em investimento no país; no RS, as quedas chegam a 25% e 39%, respectivamente.[12]
Dados do Banco Central e do Ministério da Agricultura indicam que, de julho a outubro de 2024, o crédito rural concedido no país foi 20,7% menor que no mesmo período da safra anterior, reforçando a tendência de aperto nas concessões.[10][15] | Indicador | Brasil

Rio Grande do Sul

| Queda área financiada | 25,8% | 29,3% | | Inadimplência da carteira | 23,5% | 41,3% | | Custeio (safra 25/26, 1º tri)| -23% | -25% | | Investimento (safra 25/26) | -44% | -39% |

A Serasa Experian aponta, por outro lado, que o país fechou 2024 com R$ 219,7 bilhões em linhas de crédito rural e agroindustrial, com alta leve frente a 2023, mostrando que o problema atual não é apenas de volume anual, mas de distribuição regional, prazo e risco.[9]

O que observar daqui pra frente

Produtores devem acompanhar de perto a evolução das políticas do Plano Safra, decisões do Banco Central sobre juros, e eventuais programas emergenciais para regiões afetadas, como o RS. A capacidade de renegociação de dívidas, acesso a linhas de seguro e uso de alternativas como cooperativas de crédito e programas estaduais serão decisivos para manter a produção em pé e reduzir o impacto da crise de financiamento sobre a renda no campo.

Fontes

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