Desvalorização dos Fiagros acende alerta no mercado do agro
Quase 9 em cada 10 Fiagros acumulam perdas em 2024, pressionando produtores, investidores e a oferta de crédito para o agronegócio.

A maior parte dos Fiagros listados na B3 acumula perdas em 2024, com queda média próxima de 8,5% no mercado secundário, segundo levantamento da Bloxs Capital Partners a pedido do Valor.[2] O movimento preocupa produtores e investidores porque estes fundos se tornaram um canal relevante de financiamento para o agronegócio e podem influenciar o custo do crédito e o apetite por novos projetos no campo.[2]
O que aconteceu
Levantamento da Bloxs Capital Partners mostra que cerca de 88% dos Fiagros apresentam desempenho negativo no acumulado do ano, considerando a negociação em bolsa.[2] Na média ponderada, a desvalorização desses fundos imobiliários do agronegócio é de 8,48% no mercado secundário, refletindo cenário de juros ainda elevados, maior seletividade dos investidores e preocupação com risco de crédito de operações ligadas ao setor.[2]
O movimento vem acompanhado de casos de recuperação judicial de empresas ligadas a alguns Fiagros, o que acende uma “luz amarela” para o segmento e aumenta a atenção à qualidade das garantias e dos devedores nas carteiras.[3] Esses episódios reforçam a percepção de risco, pressionam as cotas e ampliam o desconto em relação ao valor dos ativos dos fundos.
Na prática, muitos Fiagros estão sendo negociados com deságio sobre o valor patrimonial, o que indica desconfiança do mercado sobre a precificação dos créditos e imóveis rurais envolvidos nas operações.[2] Isso afeta tanto estratégias de renda quanto teses de valorização de terras e infraestrutura voltadas ao agro.
Por que importa para o agro
A desvalorização dos Fiagros pode reduzir o fluxo de novos recursos para o agronegócio, justamente num momento em que produtores buscam alternativas ao crédito tradicional bancário e aos programas oficiais como o Plano Safra. Fundos menos atrativos significam emissões mais difíceis e custo de capital maior para financiar safras, armazenagem, logística e expansão de áreas.
Para o produtor, o efeito aparece em condições mais rígidas de financiamento e maior exigência de garantias reais, especialmente em operações estruturadas lastreadas em recebíveis, CPRs e imóveis rurais. Quem depende de Fiagros para acessar capital de giro ou investimentos de longo prazo pode enfrentar prazos mais curtos, taxas mais altas e menor flexibilidade nas negociações.
Dados e contexto
Os Fiagros são veículos de investimento criados para canalizar recursos de investidores para atividades do agronegócio, via créditos, recebíveis, arrendamentos e propriedades rurais. Segundo dados de mercado compilados pelo Valor, a classe cresceu rápido, acompanhando o avanço do agro no PIB brasileiro e o interesse por renda passiva atrelada ao campo.[2]
Em 2024, o cenário combinou:
- 88% dos Fiagros com desempenho negativo no ano.[2]
- Queda média ponderada de 8,48% nas cotações.[2]
- Aumento de casos de recuperação judicial envolvendo empresas ligadas às carteiras dos fundos.[3]
- Manutenção de juros em patamar ainda elevado, o que reduz a atratividade de ativos de risco em comparação com renda fixa.
| Indicador de mercado de Fiagros 2024 | Situação levantada |
|---|---|
| Fiagros com desempenho negativo | **88%** dos fundos analisados[2] |
| Queda média ponderada das cotas | **8,48%** no mercado secundário[2] |
O que observar daqui pra frente
Produtores e investidores devem acompanhar de perto a qualidade das carteiras dos Fiagros, a gestão de risco de crédito e a evolução dos casos de recuperação judicial associados ao setor.[3] Mudanças na taxa de juros, na rentabilidade das safras e na saúde financeira de tradings, cooperativas e agroindústrias vão determinar se o segmento volta a atrair capital ou se a desvalorização se aprofunda, impactando o custo e a disponibilidade de financiamento para o agronegócio.
Fontes
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