Manejo

Divisórias reduzem agressividade entre tilápias em aquários experimentais

Estudo da Embrapa e da UniFAJ indica que barreiras físicas reduzem o contato agressivo entre tilápias-do-Nilo em experimentos.

11 de outubro de 2026 4 min de leitura
Divisórias reduzem agressividade entre tilápias em aquários experimentais

Um estudo da Embrapa Meio Ambiente e do Centro Universitário de Jaguariúna (UniFAJ) indica que o uso de divisórias físicas pode melhorar o bem-estar de tilápias-do-Nilo mantidas em aquários experimentais. A barreira reduziu o contato direto entre os peixes e limitou perseguições e ataques associados à formação de hierarquias sociais.

O que aconteceu

A pesquisa avaliou seis aquários de 300 litros, todos equipados com sistemas de recirculação de água. Três estruturas receberam divisórias físicas, enquanto as outras três permaneceram sem barreiras. O experimento durou 17 dias, sendo dois de aclimatação e 15 de avaliação.

Durante o período, os pesquisadores acompanharam diariamente o comportamento dos peixes, sinais clínicos de doenças e a ocorrência de mortes. Também foram analisados parâmetros sanguíneos relacionados ao estresse e às condições fisiológicas dos animais.

Nos aquários sem divisórias, foram observados peixes dominantes perseguindo e atacando outros indivíduos. Nas estruturas separadas, também houve sinais de agressividade, mas a barreira impediu o contato físico direto e reduziu as interações agonísticas.

Por que importa para o agro

A tilápia é uma das principais espécies da piscicultura brasileira, e o manejo do comportamento influencia o crescimento, a sobrevivência e a uniformidade dos lotes. Brigas podem causar ferimentos, aumentar o estresse e restringir o acesso de peixes submissos à ração e ao espaço disponível.

O resultado tem aplicação mais imediata em experimentos laboratoriais, nos quais grupos pequenos podem favorecer a disputa por posição social. Para a produção comercial, a adoção de divisórias exige avaliação de custo, limpeza, circulação de água, densidade e facilidade de manejo. A pesquisa não indica que a tecnologia substitua boas práticas de qualidade da água e alimentação.

Dados e contexto

  • Instituições: Embrapa Meio Ambiente e UniFAJ.
  • Espécie avaliada: tilápia-do-Nilo (Oreochromis niloticus).
  • Estrutura: seis aquários de 300 litros.
  • Tratamentos: três aquários com divisórias e três sem divisórias.
  • Duração: 17 dias, incluindo dois dias de aclimatação.
  • Monitoramento: comportamento, sinais clínicos, mortalidade e parâmetros sanguíneos.
Os parâmetros sanguíneos analisados não apresentaram diferenças significativas entre os tratamentos. A principal diferença apareceu no comportamento, especialmente na frequência de perseguições e ataques nos aquários sem separação.

A agressividade está ligada à formação de hierarquias sociais. Indivíduos dominantes podem controlar o acesso à ração e ao espaço, enquanto peixes submissos ficam mais expostos a lesões e estresse. Estudos sobre tilápias também relacionam fatores como densidade, ambiente e qualidade da água às respostas fisiológicas dos animais.

O que observar daqui para frente

O próximo passo é testar o uso de divisórias em diferentes densidades, tamanhos de peixe e sistemas de criação. Produtores e laboratórios devem avaliar se a barreira reduz perdas sem comprometer a circulação da água, a alimentação e a retirada dos animais. A oportunidade está em uma solução simples de manejo; o risco é aplicar o modelo sem adaptar o desenho do equipamento às condições da operação.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo