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Doroth levanta R$ 23 milhões para levar diagnóstico molecular ao campo

Deeptech Doroth capta R$ 23 milhões para erguer fábrica de chips microfluídicos e acelerar diagnósticos moleculares no agro brasileiro.

14 de setembro de 2026 4 min de leitura
Doroth levanta R$ 23 milhões para levar diagnóstico molecular ao campo

A deeptech brasileira Doroth, baseada em Piracicaba (SP), captou R$ 23 milhões em rodada liderada pela Loccus para construir a primeira indústria de chips microfluídicos da América Latina e escalar diagnósticos moleculares voltados ao agro. Com a planta, a empresa quer reduzir a dependência de insumos importados e encurtar o tempo entre coleta de amostras e tomada de decisão no campo.

O que aconteceu

A Doroth desenvolve plataformas lab-on-a-chip que miniaturizam etapas de laboratório — preparo de amostra, extração de material genético, amplificação e leitura — em um único chip automatizado. O foco é diagnóstico molecular rápido para agricultura de precisão biológica, com testes em folhas, sementes, grãos, leite e carne.

A rodada de R$ 23 milhões combina capital privado, liderado pela Loccus, com recursos não dilutivos de agências de fomento como Finep e Fapesp. O investimento foi anunciado no início de setembro de 2026 e marca a transição da empresa de fase predominantemente de P&D para produção em escala industrial.

O principal destino dos recursos é a construção de uma planta automatizada de chips microfluídicos, com capacidade instalada de até 4 milhões de unidades por ano. A fábrica prevê produção própria de reagentes liofilizados e enzimas para técnicas como qPCR, LAMP e Extreme PCR, permitindo resultados em minutos em vez de dias.

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Por que importa para o agro

Diagnósticos moleculares no campo permitem detectar patógenos, pragas e microrganismos benéficos antes de sintomas visíveis na lavoura. Isso reduz perdas de produtividade, melhora o uso de insumos e apoia decisões de manejo mais precisas, alinhadas a programas oficiais de defesa agropecuária do MAPA.

Ao fabricar chips e reagentes no Brasil, a Doroth ajuda a diminuir a exposição do produtor à volatilidade cambial e a gargalos logísticos de insumos importados. A descentralização dos testes, com dispositivos de point-of-care no campo ou em cooperativas, encurta o ciclo de diagnóstico, reduz custos operacionais e abre espaço para serviços recorrentes de monitoramento sanitário.

Dados e contexto

Hoje, a maior parte dos testes moleculares usados em agro depende de laboratórios centralizados e insumos importados, o que alonga prazos e eleva custos. Em culturas de alto valor, poucos dias de atraso em um diagnóstico de doença podem representar perdas significativas de produtividade, como mostram levantamentos da Embrapa em soja, milho e algodão.

A Doroth se posiciona nesse cenário com uma planta projetada para 4 milhões de chips/ano, voltada a atender a primeira onda de expansão da empresa no mercado agro. A tecnologia é orientada à chamada “agricultura de precisão biológica”, complementando a agricultura de precisão tradicional, baseada sobretudo em dados de solo, clima e maquinário.

IndicadorValor/Informação

| Montante captado | R$ 23 milhões | | Local da empresa | Piracicaba (SP) | | Capacidade planejada da planta| Até 4 milhões de chips por ano | | Liderança da rodada | Loccus (biotecnologia e diagnóstico) | | Fomento público | Finep e Fapesp |

O movimento dialoga com a tendência de digitalização e biossensoriamento no agro, observada em relatórios de mercado e em projetos apoiados por instituições como Embrapa e Conab, que destacam o papel de dados de alta frequência para gestão de risco fitossanitário e logística de grãos.

O que observar daqui pra frente

A evolução da Doroth dependerá da velocidade de implantação da fábrica, da validação dos chips em diferentes cadeias produtivas e da capacidade de integração dos testes aos fluxos de cooperativas, tradings e indústrias de proteína animal. Se a empresa conseguir manter custo por teste competitivo, garantir robustez dos resultados em campo e escalar parcerias com grandes grupos do agro, abre-se espaço para uma nova camada de monitoramento biológico nas fazendas e armazéns, com impacto direto em produtividade, segurança sanitária e acesso a mercados exigentes.

Fontes

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