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Elena Landau critica modelo da transição energética e cobra nova governança

Economista chama transição energética brasileira de cara e injusta, aponta captura por lobbies e alerta para impacto das tarifas no consumidor e no agro.

11 de setembro de 2026 4 min de leitura
Elena Landau critica modelo da transição energética e cobra nova governança

A economista Elena Landau classificou a transição energética no Brasil como “uma porcaria”, por considerar que o modelo atual é caro, regressivo e socialmente injusto, com decisões capturadas por lobbies e custos empurrados ao consumidor. Em painel realizado em São Paulo, ela defendeu mudança na governança do setor elétrico, mais transparência nas escolhas e foco efetivo em quem paga a conta, inclusive produtor rural.

O que aconteceu

Em debate sobre energia, minerais e alimentos como agenda estratégica nacional, Elena Landau criticou a forma como o país conduziu a transição energética e a modernização do setor elétrico. Para ela, o desenho atual prioriza remuneração de agentes e subsídios, em vez de garantir acesso amplo e tarifas justas.

A economista apontou que o Brasil enfrenta simultaneamente problemas de acesso e de custo da energia, com consumidores cativos – residenciais e pequenos negócios – praticamente sem influência política nas decisões. Segundo Landau, a alocação de recursos é pouco transparente, com benefícios concentrados e encargos espalhados nas contas de luz.

Ela também questionou escolhas da matriz elétrica, como as restrições a hidrelétricas com reservatório na Amazônia, que teriam contribuído para a expansão de térmicas mais caras e emissores de carbono. Em sua avaliação, subsídios às fontes renováveis e incentivos prolongados geraram distorções entre preços de mercado e tarifas contratadas.

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Por que importa para o agro

Energia elétrica é insumo crítico em irrigação, armazenagem, beneficiamento, refrigeração e agroindústria. Um modelo de transição energética caro e desordenado pressiona diretamente o custo de produção, reduz margem do produtor e encarece a logística de alimentos, da fazenda até o varejo.

Para Landau, o avanço da geração distribuída e das fontes renováveis deveria reduzir o custo sistêmico, não aumentar a conta de quem não consegue investir em painéis solares ou soluções próprias. Isso afeta especialmente pequenos e médios produtores, que ficam presos à tarifa da distribuidora e à volatilidade de encargos e subsídios.

Dados e contexto

Estudos recentes de especialistas em energia mostram que:

  • O Brasil tem matriz elétrica majoritariamente renovável, com hidroeletricidade, biomassa e eólica respondendo por mais de 80% da geração, mas ainda assim a tarifa final continua entre as mais elevadas da América Latina.
  • Encargos setoriais e tributos representam fatia relevante da conta de luz, em alguns casos superando 40% do valor pago pelo consumidor.
  • Medidas pontuais aprovadas por governo e Congresso desde 2023 adicionaram centenas de bilhões de reais em custos projetados até 2050, pressionando indústria, serviços e agroindústria.
Para o campo, esse cenário se soma a outros aumentos:
Item de custo no agroTendência recente
Energia elétrica para irrigação e armazenagemAlta, puxada por tarifa e encargos
Diesel e transporteVolátil, sensível ao câmbio e ao petróleo
Fertilizantes e defensivosPressionados por dólar e logística internacional

Com a expansão da irrigação em regiões como Matopiba e Centro-Oeste, o peso da energia na planilha do produtor cresce. Programas de incentivo à geração distribuída rural avançam, mas ainda não alcançam boa parte dos pequenos produtores, que seguem dependentes do mercado cativo.

O que observar daqui pra frente

A fala de Elena Landau reforça que o debate sobre transição energética vai muito além de clima: envolve governança, regulação e custo real para quem produz alimentos. Produtores e cooperativas devem acompanhar mudanças na política de subsídios, regras de geração distribuída, revisão de encargos e eventuais reformas do modelo elétrico, buscando reduzir exposição à tarifa cheia e avaliar projetos de energia própria quando fizerem sentido econômico.

Fontes

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