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Em Barretos, Flávio Bolsonaro acena ao agro e promete ‘guerra’ ao crime

Candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro usa a Festa do Peão de Barretos para reforçar discurso pró-agronegócio e linha dura contra o crime organizado.

24 de agosto de 2026 5 min de leitura
Em Barretos, Flávio Bolsonaro acena ao agro e promete ‘guerra’ ao crime

Flávio Bolsonaro, senador e candidato à Presidência pelo PL, usou a Festa do Peão de Barretos, no interior de São Paulo, para se apresentar como defensor do agronegócio e prometer uma "guerra" ao crime organizado em caso de vitória nas eleições. O evento, um dos maiores encontros do público rural no país, consolida a estratégia da campanha de se apoiar na base do agro para ampliar terreno no Sudeste.

O que aconteceu

Na arena de Barretos, diante de um público majoritariamente ligado ao campo, Flávio afirmou que o agronegócio brasileiro tem sido "muito atacado" e chegou a dizer que o setor estaria "quase doente". Segundo ele, o objetivo de um eventual governo será "resgatar" o agro e recolocar o Brasil como "orgulho mundial" na produção de alimentos.

O senador adotou discurso de forte identificação com produtores rurais, apresentando o agro como "coração do Brasil" e motor da economia. Ele repetiu bordões tradicionais do grupo bolsonarista e buscou associar sua candidatura à defesa da propriedade privada, da produção e da geração de empregos no campo.

Em agenda posterior, no Rio de Janeiro, Flávio endureceu o tom na pauta de segurança pública. Disse que não vai "baixar a cabeça para bandido" e afirmou que narcoterroristas teriam prazo até o fim do ano para deixar o país, prometendo "guerra" ao crime organizado a partir de janeiro de um eventual governo. O discurso mira o eleitorado conservador que associa segurança pública à proteção da atividade no campo.

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Por que importa para o agro

O gesto em Barretos reforça a tentativa de Flávio Bolsonaro de ocupar o espaço tradicionalmente alinhado ao bolsonarismo entre produtores de grãos, pecuaristas e cooperativas. Ao vincular a recuperação do agro a sua eventual gestão, o candidato tenta capitalizar insatisfações com custos de produção, crédito mais caro e crescente pressão regulatória sobre meio ambiente e uso da terra.

Para o produtor, a mensagem é de que um governo comandado pelo PL buscaria ampliar crédito rural, reduzir entraves regulatórios e endurecer contra invasões de propriedade e crimes no campo. Na prática, a disputa política em torno do agro influencia decisões de investimento em tecnologia, expansão de área e estratégias de comercialização, sobretudo em estados líderes na produção de soja, milho, cana, carnes e café.

Dados e contexto

O agronegócio responde por cerca de 24% a 27% do PIB brasileiro em anos recentes, segundo estimativas da Embrapa e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), e concentra grande parte das exportações do país. Em 2023, o valor bruto da produção agropecuária estimado pela Conab e pelo IBGE girou em torno de R$ 1,3 trilhão, com destaque para soja, milho, cana-de-açúcar e carnes bovina e de frango.

No comércio exterior, o agro é responsável por mais de 40% das exportações brasileiras em valor, com China, União Europeia e Estados Unidos entre os principais compradores. USDA e FAO apontam o Brasil como um dos maiores exportadores globais de soja, carne bovina e carne de frango, além de player relevante em milho, açúcar e café.

Enquanto a campanha de Flávio Bolsonaro promete "resgatar" o agro, o setor vive ambiente misto: safra recorde em vários produtos, segundo Conab, mas com margens pressionadas por custos de insumos, logística e juros elevados. Em paralelo, produtores enfrentam maior escrutínio de mercados importadores em temas socioambientais, como desmatamento, rastreabilidade e emissões de carbono.

A pauta da segurança pública também dialoga com preocupações do campo. Dados de secretarias estaduais e do próprio MAPA mostram que conflitos agrários, roubos de cargas e furto de gado seguem no radar de produtores, especialmente em fronteiras agrícolas e regiões remotas, onde a presença do Estado é mais frágil.

O que observar daqui pra frente

Para o agro, o ponto central será acompanhar se o discurso de Flávio Bolsonaro se transforma em propostas claras: desenho de política agrícola, crédito rural, seguro, infraestrutura logística e manejo de questões ambientais. Produtores e cooperativas tendem a avaliar com atenção o nível de previsibilidade regulatória e a consistência entre promessas de apoio ao setor e compromissos com mercados externos, que exigem cada vez mais comprovação de sustentabilidade e segurança jurídica na produção brasileira.

Fontes

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