Manejo

Escolha da cultivar de soja muda a margem do produtor no RS

Estudo mostra que a simples escolha da cultivar de soja pode gerar diferença superior a R$ 1,6 mil por hectare na rentabilidade no Rio Grande do Sul.

10 de setembro de 2026 4 min de leitura
Escolha da cultivar de soja muda a margem do produtor no RS

Um estudo conduzido pela Fundação Pró Sementes, em parceria com o sistema Farçu, mostra que a escolha da cultivar de soja pode alterar de forma decisiva a rentabilidade das lavouras no Rio Grande do Sul. Sob as mesmas condições de solo e manejo, a diferença de produtividade entre materiais genéticos chegou a mais de 14 sacas por hectare, o que representa impacto direto no caixa do produtor.

O que aconteceu

O levantamento foi realizado em diferentes regiões do estado, com destaque para o experimento em Vacaria, na Serra gaúcha. Nesse ambiente, foram comparadas cultivares do grupo de ciclo precoce em condições iguais de manejo, clima e solo, simulando o cenário típico de uma propriedade bem conduzida.

Mesmo nessas condições controladas, a produtividade variou de 65 a 79 sacas por hectare entre as cultivares avaliadas. A diferença de 14 sacas, considerando o preço médio da soja utilizado no estudo, significou um incremento superior a R$ 1.600 por hectare apenas pela escolha do material genético mais adequado.

Os pesquisadores reforçam que não se trata de diferença pontual, mas de um padrão observado em diversas áreas do Ensaio de Cultivares em Rede (ECR) coordenado pela Fundação Pró Sementes. Em outros municípios gaúchos, como Passo Fundo e Cruz Alta, também foram registradas diferenças relevantes de produtividade entre cultivares posicionadas no mesmo ambiente.

Imagem

Por que importa para o agro

Na prática, a decisão sobre qual cultivar plantar passou a ser um dos principais fatores de margem de lucro na soja gaúcha. Em um cenário de custos elevados e clima irregular, ganhar 10 a 15 sacas por hectare pela escolha correta do material genético pode ser a diferença entre fechar a safra no azul ou no vermelho.

Para o produtor, isso impacta diretamente na estratégia de compra de sementes, no planejamento de ciclos e janelas de plantio e na gestão de risco. Em regiões como a Metade Sul e áreas com solos mais limitantes, onde a rentabilidade já é pressionada, escolher cultivares adaptadas ao microclima e ao manejo da fazenda tornou-se tão importante quanto controlar pragas ou doenças.

Dados e contexto

A experiência de campo no Rio Grande do Sul confirma números já apontados por diferentes instituições:

  • Em Vacaria, cultivares de ciclo precoce variaram de 65 a 79 sc/ha, diferença de 14 sc/ha e cerca de R$ 1.610/ha em receita adicional.
  • Ensaios da Fundação Pró Sementes em várias cidades gaúchas mostram que a escolha da cultivar influencia diretamente lucro ou prejuízo.
  • Em Passo Fundo, estudos anteriores indicaram diferença superior a 30 sc/ha entre cultivares em um mesmo ambiente, reforçando o peso da decisão genética.
  • Embrapa Soja recomenda testar cultivares em pequenas áreas da propriedade antes de ampliar o uso, avaliando solo, clima, ciclo e latitude, além de comportamento frente a pragas e doenças.
Se o custo operacional da soja em partes do RS gira em torno de 30 a 34 sacas por hectare, qualquer ganho de produtividade obtido pela escolha adequada da cultivar, acima desse patamar, passa quase integralmente a ser margem para o produtor. Em sistemas com arrendamento, onde parte da produção é comprometida com aluguel da terra, esse diferencial de 10 a 15 sacas pode representar mais de R$ 1.000/ha extras.
Fator avaliadoImpacto na rentabilidade
Diferença de 14 sc/ha entre cultivaresCerca de R$ 1.610/ha a mais em receita
Custo médio de produção (30–34 sc/ha)Qualquer sc acima disso vira margem
Escolha sem critério técnicoRisco de ficar próximo ou abaixo do ponto de equilíbrio

O que observar daqui pra frente

Produtores gaúchos precisam incorporar de forma permanente a avaliação de cultivares no seu planejamento de safra. Testar materiais em talhões específicos, combinar grupos de maturação diferentes e ajustar as janelas de semeadura ao clima local são ações que podem aumentar a produtividade sem elevar significativamente o custo. Em um estado sujeito a veranicos, excesso de chuva e variação de altitude, quem alinhar genética à realidade da fazenda tende a capturar margens maiores e reduzir a exposição a safras ruins.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo