Falhas na colostragem aumentam morte de bezerros: como reduzir o risco na fazenda
Colostragem correta nas primeiras horas de vida é decisiva para reduzir mortalidade, diarreia e pneumonia em bezerros e preservar o desempenho do rebanho.
A mortalidade de bezerros nas primeiras semanas de vida segue alta em muitas fazendas, e a falha na colostragem é apontada por estudos como um dos principais fatores desse problema. Pesquisas mostram que erros no fornecimento de colostro aumentam a incidência de diarreia, pneumonia e elevam em até 2,25 vezes o risco de morte, com impacto direto na produtividade e no custo da cria.[4][5][9]
O que aconteceu
Levantamentos recentes em propriedades leiteiras brasileiras mostram que bezerros com falha de transferência de imunidade passiva (FTIP) têm mortalidade significativamente maior e mais casos de doenças infecciosas no período de aleitamento.[5][8][9] Em um estudo com 51 fazendas, a mortalidade chegou a 16% entre animais com colostragem inadequada, com aumento de diarreia e pneumonia entre a segunda e a quinta semana de vida.[5][8]
Outro levantamento, do programa Alta CRIA, aponta que bezerras com baixa eficiência de colostragem têm 2,25 vezes mais chance de não sobreviver em comparação às bem colostradas.[4][5] Pesquisas com rebanhos Holandês indicam que a FTIP está associada a 39% a 50% das mortes de bezerras nos primeiros meses de vida, reforçando o peso desse manejo na viabilidade da cria.[2][9]
Por que importa para o agro
Cada bezerro perdido significa custo direto com reposição, maior uso de medicamentos, mão de obra e perda de potencial produtivo futuro, especialmente em rebanhos leiteiros de alta produção.[2][8][9] Além disso, animais que sobrevivem após uma fase inicial com doenças têm maior chance de baixo desempenho, menor produção de leite e menor longevidade no rebanho.[8][9]
Do ponto de vista de gestão, a colostragem é um dos pontos de manejo com melhor relação custo-benefício: exige organização de parto, higienização, armazenamento de colostro e rotina clara, mas reduz gasto sanitário e melhora o resultado econômico da fazenda. Programas de avaliação de colostro com refratômetro de Brix e protocolos de fornecimento têm mostrado boa eficiência para baixar a mortalidade neonatal.[5][10][13]
Dados e contexto
Estudos e recomendações técnicas convergem em três pilares da colostragem eficiente:[5][10][13]
| Pilar | Referência prática |
|---|---|
| **Tempo** | Primeira mamada idealmente até **2 horas** após o nascimento, e ainda dentro das primeiras **6 horas** de vida.[5][10] |
| **Quantidade** | Fornecer colostro equivalente a **10% a 12% do peso vivo**, cerca de **3,5 L** para bezerro de 35 kg.[10] |
| **Qualidade** | Colostro com mais de **50 g/L de IgG** ou **≥22% Brix** em refratômetro.[5][10][13] |
Pesquisas indicam que a FTIP é o principal fator ligado à mortalidade de bezerras, respondendo por 39% a 50% das mortes em rebanhos Holandês.[2][9] Quando o colostro é insuficiente, tardio ou de baixa qualidade, os animais ficam vulneráveis principalmente a diarreias infecciosas e problemas respiratórios nas primeiras semanas.[3][8][14]
O manejo de fornecimento também influencia a eficiência: estudo mostra prevalência de falha de imunidade passiva de 2,7% com sonda esofágica, 20% com mamadeira e 51,3% em bezerros deixados para mamar apenas na vaca, sem controle.[6] Embrapa destaca que a maioria das mortes de animais jovens até três meses está ligada a condições de criação, instalações inadequadas e manejo sanitário deficiente, reforçando que colostragem é parte de um pacote de bem-estar e biosseguridade.[1][14]
O que observar daqui pra frente
Para reduzir mortalidade e melhorar desempenho do rebanho, produtores precisam padronizar protocolos de parto e colostragem, medir qualidade do colostro, garantir fornecimento rápido e volume adequado, além de investir em higiene de instalações e treinamento de equipe.[3][8][11][14] A adoção de rotinas simples, como banco de colostro de boa qualidade, avaliação com Brix e registro de bezerros, tende a baixar taxas de diarreia e pneumonia, reduzir custos veterinários e aumentar a taxa de sobrevivência das futuras matrizes.[5][8][10]
Fontes
- Canal Rural – Falhas na colostragem estão entre as principais causas de morte de bezerros
- Alta CRIA – Sem colostro adequado, morte de bezerras cresce 16%
- Scientia Generalis – Impactos da colostragem inadequada na vida produtiva
- Nutritime – Efeitos do colostro na sobrevivência de bezerras
- Embrapa – Mortalidade de bezerros: a importância do colostro
- Embrapa – Cria e recria de bezerras e novilhas
- Colostragem de bezerros: uma revisão
- Manejo e alimentação de bezerras e novilhas leiteiras
Continue lendo
Frente fria, ciclone e calor acima de 40 ºC dividem o clima no Brasil
Semana combina frente fria com ciclone no Sul e calor acima de 40 ºC no Centro-Norte, com impacto direto em lavouras, pastagens e manejo de riscos no campo.
Tapiraí aposta em parceria técnica para recuperar produção de gengibre
Capital paulista do gengibre busca retomar produtividade após doença nas sementes, com apoio do IAC e da prefeitura.
Frente fria se afasta e muda o tempo em parte do Brasil
Sistema perde força no Sul e leva chuva, ventos e temporais isolados a outras áreas do país, com impacto direto no campo.