Farsul diz que crise do agro gaúcho entrou em fase de recuperação
Na Expointer 2026, a Farsul afirmou que o pior da crise do agro gaúcho ficou para trás e cobrou avanço nas soluções para dívidas rurais.

A Farsul encerrou a Expointer 2026 com um recado de alívio para o produtor gaúcho: o momento mais duro da crise já passou. O presidente da entidade, Domingos Velho Lopes, disse que a melhora das commodities e a articulação política em torno das dívidas rurais criaram um cenário mais favorável para o setor.
A leitura da entidade importa porque o endividamento segue como um dos principais entraves ao investimento no campo no Rio Grande do Sul. A sinalização de avanço, ainda que parcial, ajuda a medir o humor do agro após dois anos de pressão sobre renda, crédito e capacidade de pagamento.
O que aconteceu
Na coletiva de encerramento da feira, a Farsul afirmou que alinhou o discurso com bancada federal gaúcha, entidades do agronegócio e a comissão do Congresso que analisa a MP 1.376/2026, que trata das dívidas rurais. Segundo Lopes, esse movimento pode destravar medidas via administração pública, nova medida provisória e ajustes do Conselho Monetário Nacional.
O dirigente resumiu a avaliação da entidade com uma frase direta: “o fundo do poço já passou”. A mensagem veio amparada pela percepção de que os preços das commodities começaram a reagir após um período negativo entre 2023 e 2025.
A Farsul tratou a articulação feita durante a Expointer como um dos principais ganhos políticos da feira. Na prática, a entidade tenta transformar o ambiente mais favorável em alívio financeiro para produtores ainda pressionados por perdas climáticas, juros altos e dificuldades de renegociação.
Por que importa para o agro
Para o produtor, o ponto central é a dívida. Sem renegociação mais ampla e previsível, a recuperação de preço não se converte rapidamente em caixa. Isso afeta compra de insumos, renovação de tecnologia e planejamento da próxima safra.
Para o mercado, a fala da Farsul indica que o setor já vê espaço para retomada, mas ainda depende de decisão pública. A leitura é de transição: sai a fase de contenção da crise e entra a disputa por condições financeiras para voltar a produzir com normalidade.
Dados e contexto
| Indicador | Dado |
|---|---|
| Feira | **49ª Expointer** |
| Local | Parque de Exposições Assis Brasil, Esteio (RS) |
| Tema central na coletiva | Endividamento rural |
| Instrumento citado | **MP 1.376/2026** |
| Período citado pela Farsul | Queda das commodities entre **2023 e 2025** |
A Expointer 2026 também serviu como vitrine para negócios e para pressão política. A Farsul avaliou que a feira consolidou um discurso único entre entidades e representantes do setor para acelerar uma solução para passivos do campo.
Em termos de mercado, a entidade lê a alta recente das commodities como primeiro sinal de recomposição de margens. Isso ainda não resolve o passivo acumulado, mas melhora a capacidade de pagamento em relação aos meses mais críticos.
O que observar daqui pra frente
O próximo passo é acompanhar se a negociação em Brasília vai virar medida concreta. O produtor deve observar o conteúdo final da MP, possíveis ajustes do CMN e o ritmo de implementação das renegociações. Sem isso, a melhora de preço tende a ser insuficiente para reequilibrar o caixa no curto prazo.
Fontes
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