Mercado

Fertilizantes seguem como principal gargalo na conta do produtor e do distribuidor

Preço alto e compra atrasada mantêm os fertilizantes no centro da pressão sobre margem, crédito e planejamento da próxima safra.

23 de agosto de 2026 3 min de leitura
Fertilizantes seguem como principal gargalo na conta do produtor e do distribuidor

Os fertilizantes continuam sendo o ponto mais sensível da conta do produtor e do distribuidor no agro brasileiro. A leitura é de agentes ouvidos no Congresso Andav 2026, em São Paulo, em meio a um mercado ainda pressionado por custos altos e por decisões de compra mais cautelosas.

O problema afeta diretamente margem, planejamento de safra e fluxo de caixa. Mesmo com alguma melhora em partes da cadeia, o insumo segue travando negociações e exigindo mais atenção ao momento de compra.

O que aconteceu

Na cobertura do SpeedCast Andav 2026, o diretor comercial da AgriConnection, Evaldo Carvalho, afirmou que o fertilizante ainda é o maior gargalo “na conta do produtor e do distribuidor”. A avaliação foi feita durante o encontro do setor de distribuição de insumos, que reuniu empresas, consultores e especialistas em São Paulo.[1]

Segundo Carvalho, o ponto mais crítico continua sendo o enxofre. Ele disse que o produto está “seis vezes mais caro” do que a média histórica, o que mantém pressão sobre formulações e custo final dos pacotes oferecidos ao produtor.[1]

O diagnóstico é de que, mesmo com ajustes recentes em alguns preços, o fertilizante segue como o elo mais frágil da cadeia. Isso reduz a previsibilidade das compras e alonga decisões que normalmente precisariam ser tomadas com mais antecedência para a safra.[1]

Por que importa para o agro

Quando o fertilizante encarece, o efeito aparece em toda a cadeia. O produtor precisa gastar mais para manter a mesma estratégia nutricional, o distribuidor lida com negociações mais duras e a indústria trabalha com uma demanda menos previsível.[1]

Isso afeta especialmente culturas de maior exigência nutricional e momentos em que o caixa do produtor já está pressionado por juros, crédito mais caro e margem apertada. Na prática, a compra de insumos passa a depender ainda mais do timing de mercado.[1]

Dados e contexto

  • O Congresso Andav 2026 reuniu a cadeia de distribuição de insumos em São Paulo e voltou a destacar o fertilizante como principal ponto de pressão.[1]
  • O enxofre, citado como componente crítico, estaria seis vezes acima da média histórica, segundo a avaliação apresentada na entrevista.[1]
  • A distribuição de insumos segue relevante no financiamento e na entrega de produtos ao campo, com peso crescente nas decisões comerciais da safra, segundo o debate do setor no evento.[1]
  • Em outra cobertura da AgFeed sobre o mercado de fertilizantes, as importações brasileiras das principais matérias-primas caíram 8,6% entre janeiro e junho, sinal de compras mais defensivas.[2]

O que observar daqui pra frente

O mercado vai seguir sensível ao custo das matérias-primas, à logística internacional e ao ritmo de recomposição dos estoques. Se os preços de componentes-chave, como enxofre, permanecerem pressionados, a tendência é de compras mais travadas e maior seletividade nas negociações. Para o produtor, o foco deve ficar em planejamento antecipado, leitura de custo por hectare e escolha de janela de compra. Para o distribuidor, a disputa tende a ser por financiamento, previsibilidade e gestão de risco.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo