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FPA pressiona governo por ajustes na MP das dívidas rurais

Frente Parlamentar da Agropecuária cobra ajustes e implementação rápida da MP 1.376/2026 para destravar a renegociação das dívidas de produtores rurais.

14 de setembro de 2026 4 min de leitura
FPA pressiona governo por ajustes na MP das dívidas rurais

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) divulgou carta aberta cobrando ajustes e efetiva implementação da MP 1.376/2026, criada para viabilizar a renegociação das dívidas de produtores rurais afetados por clima extremo e dificuldades econômicas. O texto ainda enfrenta entraves operacionais, o que trava o acesso a crédito e amplia o risco de inadimplência em plena preparação de nova safra.

O que aconteceu

A MP 1.376/2026 foi publicada em julho como resposta à pressão da FPA e de mais de 40 entidades do agro para criar um canal estruturado de renegociação de dívidas bancárias no campo. O objetivo é repactuar operações de crédito rural, inclusive Cédulas de Produto Rural (CPRs), alongar prazos e reduzir pressão de pagamento em regiões com perdas severas.

Na prática, porém, entidades apontam que a regulamentação e a operação da MP avançam devagar. Há reclamações sobre exigência de laudos agronômicos individuais para comprovar perdas, custo adicional para o produtor, exigência de entrada em casos sem capacidade de pagamento e risco de revisão de garantias.

A FPA pede simplificação da comprovação de perdas, permissão de laudos coletivos para pequenos produtores, dispensa de novos laudos em operações já renegociadas e ainda estressadas, preservação das regras dos Fundos Constitucionais e garantia de que a adesão à MP não feche portas ao crédito rural na próxima safra.

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Por que importa para o agro

Produtores endividados dependem da MP para reorganizar fluxo de caixa, evitar execução de dívidas e manter acesso a insumos e tecnologia para a safra 2026/27. Sem regras claras e operação simples, muitos ficam fora da renegociação ou atrasam decisões de plantio, o que pode reduzir área cultivada e investimento.

A insegurança jurídica sobre laudos e critérios de enquadramento também preocupa cooperativas, tradings e bancos, que precisam de parâmetros nacionais uniformes para avaliar risco. Um modelo pesado e burocrático tende a concentrar benefícios em poucos casos, deixando de fora justamente pequenos e médios produtores mais pressionados.

Dados e contexto

Diversas regiões produtoras enfrentam combinação de quebra de safra e alta de custos, elevando a necessidade de renegociação de crédito. Levantamentos recentes de Conab e Embrapa mostram impactos relevantes de eventos climáticos extremos em grãos e pecuária, com perdas superiores a 30% em áreas específicas.

Ao mesmo tempo, o crédito rural oficial vem crescendo em volume, mas com juros mais altos e maior exigência de garantias, o que amplia o peso das dívidas em anos ruins. A MP busca equalização de taxas e alongamento de prazos, com custo assumido pela União dentro de limites orçamentários.

A seguir, um quadro simplificado do foco da MP:

Ponto-chaveImpacto previsto
Renegociação de dívidas bancárias ruraisAlívio imediato de fluxo de caixa
Inclusão de CPRsReorganização de dívidas comerciais
Laudos agronômicosComprovação técnica de perdas
Equalização de jurosRedução do custo financeiro
Preservação de acesso ao créditoContinuidade da atividade produtiva

A articulação entre FPA, Ministério da Fazenda e Congresso tem como meta ajustar a MP para que os instrumentos funcionem em escala nacional, sem criar novas barreiras operacionais.

O que observar daqui pra frente

Produtores devem acompanhar de perto a regulamentação final da MP 1.376/2026, os critérios de enquadramento, exigência de laudos e condições de entrada nas operações. A forma como bancos públicos e privados vão operar a renegociação será decisiva para definir quem terá acesso real ao benefício, o impacto sobre a inadimplência e a capacidade do agro de manter investimento em produtividade, tecnologia e manejo sustentável na próxima safra.

Fontes

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