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IA e drones ajudam a selecionar milho mais tolerante à seca

Tecnologia com mais de 90% de acerto acelera a identificação de híbridos de milho mais tolerantes à seca, apoiando o melhoramento genético e a gestão de risco climático.

26 de julho de 2026 5 min de leitura
IA e drones ajudam a selecionar milho mais tolerante à seca

Uma nova tecnologia que combina inteligência artificial, drones e dados de campo alcançou mais de 90% de acerto na identificação de híbridos de milho mais tolerantes à seca, segundo pesquisadores ligados à Embrapa e parceiros[1][2]. A ferramenta promete agilizar o melhoramento genético, reduzir custos de avaliação em campo e aumentar a segurança do produtor diante da intensificação dos eventos de déficit hídrico.

O que aconteceu

Pesquisadores brasileiros desenvolveram modelos que cruzam informações genômicas, fenotípicas (dados de desempenho em diferentes ambientes) e imagens obtidas por drones para prever quais híbridos de milho respondem melhor ao estresse hídrico[1][2]. Em alguns cenários, o sistema alcançou taxas de acerto superiores a 90%, o que indica forte potencial para uso operacional em programas de seleção de materiais tolerantes à seca[1].

A abordagem usa predição genômica: com base em dados de DNA das plantas, os modelos de IA estimam o comportamento dos híbridos sob déficit hídrico, sem necessidade de testar todos em ensaios extensivos de campo[2]. Quando combinados com dados fenotípicos de múltiplos ambientes, os modelos aumentam a acurácia de predição da resposta genética à seca[2].

Na prática, isso permite que melhoristas concentrem recursos de campo apenas nos materiais com maior probabilidade de desempenho superior sob estresse hídrico, acelerando o lançamento de cultivares adaptadas a cenários de menor disponibilidade de água no solo.

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Por que importa para o agro

Para o produtor, milho mais tolerante à seca significa menor risco de perda de produtividade em anos de chuvas irregulares ou atraso na estação chuvosa. Estudos da Embrapa mostram que suspensões de irrigação em períodos críticos podem reduzir o rendimento de grãos em mais de 50% em sistemas de sequeiro, dependendo da fase em que ocorre o estresse hídrico[9]. Identificar rapidamente híbridos capazes de manter produção sob essas condições é estratégico.

A tecnologia também interessa à indústria de sementes e à cadeia de insumos. Programas de melhoramento que hoje dependem de muitos anos de ensaios em diferentes regiões podem usar a IA para antecipar decisões de seleção, diminuindo custos e tempo até o lançamento de novos híbridos. Empresas que já trabalham com materiais com maior tolerância à seca relatam ganhos de 8% a 10% em produtividade em condições de estresse hídrico, em comparação a variedades tradicionais[7].

Dados e contexto

A resposta do milho à falta de água é altamente dependente da fase de desenvolvimento da planta. Pesquisas da Embrapa indicam que suspender a irrigação entre a 5ª e a 14ª semana após o plantio pode reduzir a produtividade em cerca de 60% em alguns ambientes[9]. Em cenários mais extremos de estresse no pré-florescimento e enchimento de grãos, a queda pode superar 80%[9].

Programas de melhoramento voltados à tolerância à seca consideram características como:

  • Sistema radicular mais extenso ou denso, que melhora a exploração de água em profundidade[5]
  • Maior espessura de cutícula foliar e cerosidade, reduzindo perda de água[5]
  • Ajuste osmótico e maior resistência à desidratação das células[5]
A combinação dessas características com informações genômicas e modelos de seleção genômica, como descrito por Embrapa e parceiros, aumenta a acurácia na predição da performance de híbridos sob déficit hídrico[2]. Em paralelo, empresas privadas já colocam no mercado materiais com foco em alta tolerância à seca, com ganhos médios de pelo menos 8% de produtividade em condições de estresse[7].
AspectoImpacto na seleção de híbridos
Acurácia da IA (>90%)Reduz testes de campo e acelera melhoramento[1][2]
Queda típica de produtividade com forte estressePode superar 50–60% em sequeiro[9]
Ganho de híbridos tolerantes em estresseCerca de 8–10% a mais que variedades padrão[7]

O que observar daqui pra frente

Para o produtor, o ponto central é acompanhar recomendações de cultivares de empresas e instituições de pesquisa que já incorporam essas ferramentas de IA e seleção genômica. Em regiões com maior risco de veranicos e irregularidade de chuvas, a adoção de híbridos com evidências sólidas de tolerância à seca, somada a manejo adequado de plantio e solo, pode reduzir drasticamente perdas em safras críticas e ampliar a estabilidade da renda, especialmente em sistemas de sequeiro.

Fontes

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