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Indústria propõe corte de R$ 109,1 bilhões na conta de luz até 2035

Agenda da Abrace quer reduzir subsídios e ineficiências da energia, com impacto direto no custo da eletricidade para o agro.

16 de setembro de 2026 4 min de leitura
Indústria propõe corte de R$ 109,1 bilhões na conta de luz até 2035

A Associação Brasileira de Grandes Consumidores de Energia (Abrace) apresentou uma agenda para reduzir em R$ 109,1 bilhões os custos pagos pelos consumidores na conta de luz até 2035. O pacote mira subsídios e ineficiências do setor elétrico que hoje pesam na tarifa e afetam diretamente competitividade da indústria e do agronegócio.

O que aconteceu

Abrace divulgou um conjunto de propostas que combina desoneração imediata e agenda defensiva para evitar novos custos futuros nas tarifas de energia. O foco principal é reduzir encargos embutidos na conta, como subsídios financiados pela Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que hoje somam cerca de R$ 30 bilhões por ano pagos pelos consumidores.[1][10]

A entidade defende transferir gradualmente esses subsídios para o orçamento da União ao longo de 10 anos, em vez de manter a cobrança nas faturas de energia. Segundo a proposta, essa migração poderia reduzir em 12% a 14% as tarifas médias de eletricidade ao final do período, aliviando principalmente grandes consumidores industriais e produtores com alto uso de energia.[10]

A agenda também prevê medidas para interromper novas ineficiências, revisar contratos que não entregam benefício ao sistema e congelar a expansão da CDE, que é alvo há anos de críticas de associações de consumidores por concentrar custos de políticas públicas na conta de luz.[9][13]

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Por que importa para o agro

O agronegócio é cada vez mais dependente de energia elétrica em irrigação, armazenagem, secagem de grãos, ordenha mecanizada, climatização de aviários e suinocultura, além de agroindústrias de carnes, lácteos, grãos e açúcar. Cada ponto percentual na tarifa impacta diretamente o custo de produção e a margem do produtor.

Estudos da Abrace indicam que ineficiências e subsídios representam cerca de 26% da conta de luz, com previsão de R$ 100 a R$ 103,6 bilhões em custos desse tipo em um único ano.[8][15] Reduzir esse peso tende a melhorar a competitividade de cadeias intensivas em energia, como frigoríficos, usinas de etanol, laticínios e indústrias de fertilizantes, além de irrigantes, que hoje dependem de descontos tarifários específicos.[10][14]

Dados e contexto

Nos últimos anos, diferentes instituições vêm apontando o peso dos encargos na estrutura tarifária:

  • Abrace estima R$ 100–103,6 bilhões em ineficiências e subsídios na conta de luz em um ano, equivalentes a 26% da tarifa.[8][15]
  • A CDE, principal conta de subsídios do setor elétrico, gira em torno de R$ 30 bilhões ao ano, custeados diretamente nas faturas.[1][10]
  • A proposta da Abrace prevê transferência gradativa desses R$ 30 bilhões para o Tesouro Nacional em 10 anos, com redução de 12% a 14% nas tarifas médias ao final.[10]
  • Há subsídios específicos relevantes para o agro, como o desconto de até 90% para irrigação, que custa cerca de R$ 1,2 bilhão por ano.[10]
Se necessário, a agenda poderia ser combinada a discussões em órgãos como Ministério de Minas e Energia (MME), Ministério da Agricultura (MAPA) e Conab, para avaliar impactos em irrigação, custos de armazenagem e competitividade das exportações agropecuárias.
IndicadorValor aproximado

| CDE custeada na tarifa | R$ 30 bilhões/ano | | Ineficiências + subsídios | R$ 100–103,6 bilhões/ano | | Peso estimado desses itens | 26% da conta de luz | | Desconto para irrigação | R$ 1,2 bilhão/ano | | Meta de redução 2024–2035 | R$ 109,1 bilhões |

O que observar daqui pra frente

Produtores e agroindústrias devem acompanhar o debate no Congresso e no MME sobre a migração dos subsídios para o orçamento federal e possíveis ajustes em descontos de irrigação e outras políticas específicas. A agenda da Abrace abre espaço tanto para redução estrutural de custos de energia para o agro quanto para revisão de benefícios setoriais, o que pode redistribuir quem paga e quem se beneficia da conta de luz.

Fontes

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