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John Deere sinaliza fim da queda nas vendas de máquinas na América do Sul

Após dois anos de ajuste duro, John Deere indica estabilização na demanda por máquinas agrícolas na América do Sul, o que anima o mercado de agro.

20 de agosto de 2026 4 min de leitura
John Deere sinaliza fim da queda nas vendas de máquinas na América do Sul

A John Deere indicou em seu balanço recente que o ciclo de queda nas vendas de máquinas agrícolas está próximo do fim na América do Sul, com expectativa de estabilização depois de dois anos de forte ajuste na demanda. A sinalização animou o mercado financeiro, que vê espaço para retomada gradual de investimentos em mecanização, crédito e serviços ligados ao agro na região.

O que aconteceu

Nos resultados mais recentes, a John Deere mostrou queda importante de lucro e receita em 2025, reflexo da desaceleração global nas vendas de tratores e colheitadeiras de grande porte. Em paralelo, a companhia ajustou estoques, reduziu volumes embarcados e revisou previsões para segmentos de agricultura de precisão e pequenos equipamentos.

Apesar da pressão nos números, a direção da empresa destacou que 2026 deve marcar o fundo do ciclo de grandes máquinas, principalmente nos mercados maduros. Na América do Sul, porém, o cenário já é visto como mais estável, com expectativa de parar de cair antes de outras regiões, apoiado em produtividade elevada e uso intenso de tecnologia no campo.

Essa leitura levou a uma reação positiva de analistas e investidores, que interpretaram a mensagem como sinal de que o pior da correção de demanda já ficou para trás. O discurso de “fim da queda” nas vendas, ainda que concentrado na América do Sul, foi suficiente para melhorar a percepção sobre o setor de máquinas agrícolas.

Por que importa para o agro

Para o produtor, o fim do ciclo de queda nas máquinas significa um mercado mais previsível para compra, venda e troca de equipamentos. Com demanda menos pressionada para baixo, fabricantes tendem a reduzir cortes na produção, estabilizar preços e voltar a disputar negócios com condições comerciais mais claras.

A sinalização também interessa diretamente às revendas, cooperativas e bancos que financiam máquinas agrícolas. Um ambiente de estabilidade reduz o risco percebido em operações de crédito e facilita renegociações, alongamento de prazos e ofertas de pacotes que incluam serviços, manutenção e soluções de agricultura de precisão.

Dados e contexto

Nos últimos trimestres, a John Deere reportou quedas relevantes em lucro e vendas em suas divisões agrícolas, com destaque para grandes máquinas:

  • Lucro trimestral chegou a cair cerca de 50% em relação ao ano anterior em 2025.
  • Em segmentos de produção e agricultura de precisão, a receita recuou mais de 20%, puxada por menor volume de embarques.
  • Vendas globais de equipamentos apresentaram retração próxima de 12% no ano fiscal, com pressão mais forte em EUA e Canadá.
Em projeções para o mercado agrícola:
  • A empresa chegou a trabalhar com cenário de queda de até 30% nas vendas de máquinas de grande porte em mercados desenvolvidos.
  • Para pequenos equipamentos, as estimativas variaram de queda em torno de 10% a 15%, enquanto Europa apresentaria recuo moderado.
  • América do Sul e Ásia eram tratadas como mercados de estabilidade ou leve oscilação, reforçando a importância da região para o equilíbrio global da companhia.
Esse movimento dialoga com dados de produção agrícola no Brasil divulgados por Conab e IBGE, que mostram safra elevada, uso intensivo de tecnologia e uma base de máquinas já relativamente moderna em grandes culturas. Em vez de expansão acelerada da frota, o ciclo recente foi de ajustes, renegociação de dívidas e foco em produtividade por hectare.
Indicador selecionadoTendência recente
Lucro anual da DeereQueda próxima de 30% vs. 2024
Vendas globais de equipamentosRecuo em torno de 12%
Mercado de grandes máquinas (EUA/Canadá)Queda projetada de até 30%
América do SulCenário de estabilidade nas vendas

O que observar daqui pra frente

Produtores e empresas de máquinas devem acompanhar três pontos: políticas de crédito rural no Brasil, decisões de investimento das grandes fabricantes e movimentos de preços de equipamentos novos e usados. Se a estabilização da demanda na América do Sul se confirmar, abre-se espaço para renegociações mais estruturadas, programas de troca de frota com foco em eficiência e retomada gradual dos investimentos em tecnologia embarcada, sem repetir o ritmo acelerado dos anos de alta nem o freio brusco dos últimos dois ciclos.

Fontes

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