Manejo

Manejo reprodutivo eleva prenhez a mais de 80% em fazenda de Goiás

Fazenda Olhos d’Água combina protocolos hormonais, triagem de novilhas e diagnóstico precoce para superar 80% de prenhez no rebanho.

02 de novembro de 2026 4 min de leitura
Manejo reprodutivo eleva prenhez a mais de 80% em fazenda de Goiás

A Fazenda Olhos d’Água, em Goiás, alcançou taxa de diagnóstico de gestação superior a 80% na pecuária de corte. O resultado é atribuído ao planejamento do ciclo reprodutivo, à padronização das rotinas no curral e ao acompanhamento individual das fêmeas. A estratégia aumenta a eficiência das matrizes e reduz perdas com animais improdutivos.

O que aconteceu

O manejo das vacas recém-paridas começa entre 20 e 25 dias após o nascimento da última cria. Nessa etapa, a equipe realiza o pré-sincronismo com progesterona injetável, dez dias antes da colocação do implante intravaginal.

A mesma operação reúne outras tarefas sanitárias e zootécnicas. As matrizes são pesadas, recebem brinco mosquicida, vermífugo e vacinas contra doenças reprodutivas. A concentração das atividades diminui o número de manejos e melhora o controle dos animais.

A fazenda também utiliza o chamado protocolo ouro para induzir e sincronizar a ovulação de matrizes e novilhas. No início do protocolo, é inserido o dispositivo intravaginal de progesterona e aplicado benzoato de estradiol. Oito dias depois, o implante é retirado e são administrados eCG, cipionato de estradiol e prostaglandina.

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Antes da inseminação, as novilhas passam por exame de escore do trato reprodutivo. A avaliação identifica anomalias e evita o uso de hormônios e sêmen em fêmeas sem condições adequadas para reprodução.

O diagnóstico de gestação é realizado por ultrassonografia 30 dias após o fim das inseminações. As fêmeas vazias entram em protocolos de ressincronização e podem passar por até três novas rodadas de serviço reprodutivo.

Por que importa para o agro

A taxa de prenhez determina a velocidade de renovação do rebanho e influencia diretamente a oferta futura de bezerros. Quanto maior o número de matrizes gestantes dentro da estação, maior a previsibilidade da produção e menor o custo por animal produzido.

O resultado também mostra que eficiência reprodutiva depende de conjunto de práticas, não apenas da aplicação de hormônios. Nutrição, sanidade, condição corporal, qualidade do sêmen, capacitação da equipe e registros confiáveis precisam funcionar de forma integrada.

Para o produtor, a triagem antecipada evita investimentos em fêmeas de baixo potencial. O diagnóstico precoce permite corrigir falhas ainda dentro da estação, aumentando a possibilidade de recuperação das matrizes que não emprenharam no primeiro serviço.

Dados e contexto

A Embrapa define a taxa de prenhez como a proporção de vacas prenhes entre as fêmeas aptas à reprodução. O indicador resulta da combinação entre taxa de serviço e taxa de concepção.

  • Resultado da Fazenda Olhos d’Água: acima de 80% de prenhez.
  • Diagnóstico por ultrassonografia: 30 dias após o encerramento das inseminações.
  • Início do manejo pós-parto: entre 20 e 25 dias após o nascimento da cria.
  • Ressincronização: até três rodadas para fêmeas não gestantes.
  • Referência técnica: a Embrapa recomenda o acompanhamento da detecção de cio, da concepção e do diagnóstico de gestação para medir a eficiência do sistema.
A taxa de prenhez deve ser analisada junto com intervalo entre partos, idade ao primeiro parto, descarte de matrizes e peso dos bezerros. Um índice elevado, mas obtido com custos excessivos ou baixa produtividade das crias, não garante rentabilidade.

O que observar daqui pra frente

O principal desafio é manter o desempenho em diferentes condições de pastagem, clima e preço dos insumos. O produtor deve acompanhar o escore corporal das matrizes, a qualidade dos registros, a taxa de concepção por lote e o custo por prenhez. A combinação entre diagnóstico rápido, ressincronização e descarte técnico pode transformar o resultado reprodutivo em ganho econômico permanente.

Fontes

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