Manejo

Mosca-do-estábulo volta a causar mortes e prejuízos à pecuária em SP

Infestação de mosca-do-estábulo provoca mortes de bovinos e perdas financeiras relevantes para pecuaristas no noroeste paulista.

09 de setembro de 2026 4 min de leitura
Mosca-do-estábulo volta a causar mortes e prejuízos à pecuária em SP

Pecuaristas do noroeste de São Paulo enfrentam nova onda de infestação de mosca-do-estábulo, com mortes de animais, queda de produção e perdas financeiras que já chegam a dezenas de milhares de reais por propriedade. O problema atinge rebanhos de corte e leite, reduzindo peso, produção de leite e aumentando custos de manejo.

O que aconteceu

Rebanhos de municípios como Tanabi e região registram forte ataque da mosca-do-estábulo, inseto hematófago que se alimenta de sangue e causa dor intensa nos animais. Bovinos debilitados deixam de se alimentar, emagrecem rapidamente e muitos não resistem, gerando mortandade em fazendas da região.[3][2]

Em uma das propriedades citadas, o produtor perdeu 14 animais, com prejuízo estimado em cerca de R$ 70 mil, somando valor dos animais mortos, queda de produção de leite e custos extras de controle do inseto.[3] Há relatos de outros pecuaristas com perdas de mais de dez cabeças e forte redução no desempenho dos lotes.

Veterinários ouvidos pelo Globo Rural explicam que a mosca provoca estresse contínuo. Os animais passam mais tempo se defendendo das picadas do que comendo ou ruminando, o que compromete ganho de peso, produção de leite e imunidade. Em bezerros, o quadro é ainda mais grave, com maior risco de morte.[2][12]

Por que importa para o agro

O surto de mosca-do-estábulo afeta diretamente a rentabilidade da pecuária. Perda de animais, queda de peso e redução do leite significam menos receita, piora na eficiência produtiva e impacto na capacidade de cumprimento de contratos com frigoríficos e laticínios. Em propriedades com margens apertadas, a infestação pode inviabilizar a atividade.

Além do impacto direto no produtor, a recorrência de surtos pressiona custos de toda a cadeia. Mais gastos com produtos para controle, ajustes de manejo e possíveis mudanças no uso da terra tendem a elevar o custo de produção de carne e leite, influenciando preços ao consumidor em regiões afetadas.[7][6]

Dados e contexto

Estudos divulgados por especialistas e por veículos do setor apontam que a mosca-do-estábulo (Stomoxys calcitrans) pode causar perdas importantes em produtividade:

  • Redução de 20% a 30% no ganho de peso em bovinos de corte em surtos severos[7]
  • Queda significativa na produção de leite em vacas leiteiras submetidas a ataques constantes[7][1]
  • Estresse intenso, com animais em pé e aglomerados, diminuindo pastejo e descanso[1][12]
Reportagens anteriores do Globo Rural mostram que, em anos de forte infestação, propriedades do noroeste paulista já perderam mais de 150 animais em uma única temporada.[11] Em levantamentos citados por especialistas, os prejuízos anuais com a mosca-do-estábulo na pecuária podem superar R$ 1 bilhão no Brasil, considerando mortalidade, perda de peso e queda na produção de leite.[13]

A proliferação do inseto está associada a ambientes com matéria orgânica úmida, como bagaço e resíduos da cana-de-açúcar, esterco acumulado e manejo inadequado de subprodutos como a vinhaça das usinas. Regiões com forte presença de cana e falhas no manejo de resíduos tendem a registrar mais surtos.[4][13]

Instituições como a Embrapa recomendam combinação de estratégias: manejo de dejetos e resíduos orgânicos, cuidados na aplicação de vinhaça, uso criterioso de inseticidas, armadilhas e melhoria das condições de higiene nas áreas de confinamento e estábulos. Não há solução única, e o controle exige ações contínuas de manejo integrado.[7]

O que observar daqui pra frente

Produtores da região devem acompanhar a evolução da infestação e ajustar rapidamente o manejo, com limpeza de áreas de acúmulo de matéria orgânica, revisão de práticas de aplicação de vinhaça e apoio técnico de veterinários para definir planos de controle. A adoção de manejo integrado de pragas e a articulação entre pecuaristas e usinas de cana serão decisivas para reduzir perdas, proteger o rebanho e evitar novos surtos em larga escala.

Fontes

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