Mulheres ampliam liderança e influência na transformação do agro
A participação feminina cresce na produção rural e nas cadeias agroalimentares, mas acesso a crédito, tecnologia e terra ainda limita avanços.
A presença feminina ganhou peso na produção rural e em diferentes etapas das cadeias agroalimentares. O avanço aparece na gestão de propriedades, no empreendedorismo, na inovação e na comercialização. A mudança amplia a diversidade das decisões e cria oportunidades para tornar o agronegócio mais eficiente e inclusivo.
O que aconteceu
A transformação do agro mundial vem aumentando a visibilidade do trabalho realizado por mulheres. Elas participam do cultivo, da pecuária, do processamento, da comercialização e da gestão financeira das atividades. Em muitos casos, também lideram iniciativas de agregação de valor e organização coletiva.
No Brasil, o Censo Agropecuário 2017, do IBGE, registrou 946 mil mulheres como produtoras, o equivalente a 18,7% do total. Em 2006, essa participação era de 12,7%. O levantamento também identificou 817 mil mulheres envolvidas na direção dos estabelecimentos em conjunto com o cônjuge.
A mudança não significa que a igualdade já foi alcançada. Acesso limitado à propriedade da terra, ao crédito, à assistência técnica e à capacitação ainda reduz a autonomia de muitas produtoras. A subnotificação do trabalho feminino também dificulta a medição de sua contribuição econômica.
Por que importa para o agro
A maior participação feminina fortalece a gestão das propriedades e amplia a capacidade de resposta diante de desafios como mudanças climáticas, custos elevados e exigências de rastreabilidade. Mulheres também ocupam espaço crescente em áreas como tecnologia, sustentabilidade, pesquisa, cooperativismo e agroindústria.
Para o produtor e para as empresas da cadeia, reconhecer essa participação pode melhorar a sucessão familiar, a adoção de tecnologias e a diversificação de receitas. Programas de crédito, assistência técnica e capacitação desenhados para as necessidades das produtoras tendem a ampliar o alcance das políticas públicas e das soluções privadas.
Dados e contexto
- No Brasil, as mulheres representavam 18,7% dos produtores rurais no Censo Agropecuário 2017, contra 12,7% em 2006, segundo o IBGE.
- 20,3% dos estabelecimentos tinham direção compartilhada, conforme análise da Embrapa sobre os dados do Censo.
- Na América Latina e no Caribe, as mulheres representavam 36% da força de trabalho dos sistemas agroalimentares, segundo a FAO.
- Entre 2006 e 2017, o número de produtoras brasileiras cresceu, mas os homens ainda respondiam por 81,3% dos produtores registrados pelo IBGE.
O que observar daqui pra frente
O avanço dependerá da continuidade de políticas de crédito, titularidade da terra, conectividade, formação técnica e apoio à sucessão rural. Empresas e cooperativas devem acompanhar a participação feminina em suas cadeias e criar canais de acesso mais adequados. Para as produtoras, redes de cooperação, qualificação em gestão e uso de ferramentas digitais podem ampliar produtividade, renda e poder de decisão.
Fontes
- Canal Rural — Mulheres assumem papel estratégico na transformação do agro mundial
- IBGE — Censo Agro 2017: população ocupada nos estabelecimentos agropecuários
- Embrapa — As mulheres no Censo Agropecuário 2017
- FAO — Mulheres nos sistemas agroalimentares da América Latina e do Caribe
- ibge.gov.br
- canalrural.com.br
- online.unisc.br
- agenciadenoticias.ibge.gov.br
- 12censoagro.ibge.gov.br
- metropoles.com
- agenciadenoticias.ibge.gov.br
- infoteca.cnptia.embrapa.br
- fao.org
- ibge.gov.br
- gov.br
- agenciabrasil.ebc.com.br
- sebrae.com.br
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