Tecnologia

NotCo vende operação no Brasil e acelera virada para empresa de IA

Unicórnio chileno NotCo vende operação brasileira ao grupo Ferrara e reforça foco em inteligência artificial aplicada à indústria de alimentos.

11 de setembro de 2026 4 min de leitura
NotCo vende operação no Brasil e acelera virada para empresa de IA

Unicórnio chileno NotCo vendeu sua operação no Brasil ao grupo brasileiro Ferrara e deu mais um passo na estratégia de se transformar em uma empresa de tecnologia e IA para o setor de alimentos. A marca segue no país sob nova gestão, enquanto a NotCo concentra esforços em licenciar sua plataforma de inteligência artificial para grandes indústrias globais.

O que aconteceu

A NotCo anunciou a venda de sua unidade brasileira ao grupo Ferrara, investidor com atuação em alimentos e portfólio de marcas naturais no Brasil e nos Estados Unidos.[1][3] O movimento vem após a venda das operações da companhia na Argentina e no Uruguai para o grupo Molinos e o fechamento da operação no México.[3][10]

Com a transação, a NotCo mantém a marca e a tecnologia, mas terceiriza a gestão da operação local, que passa a ser tocada por um player brasileiro especializado em consumo e varejo.[1][3] A empresa segue atuando com duas frentes globais: desenvolvimento de produtos plant-based licenciados e oferta de soluções de IA para grandes grupos de alimentos.[3][10]

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Por que importa para o agro

A saída direta da NotCo do Brasil como operadora e sua migração para o modelo de IA as a service muda o jogo para indústrias de proteína animal, laticínios e processados que já veem pressão crescente de produtos à base de plantas. O foco em algoritmos que otimizam formulações, custo e desempenho sensorial pode acelerar lançamentos de alimentos híbridos ou totalmente vegetais, impactando demanda por leite, carne e óleos vegetais.

Para o produtor, o avanço de plataformas como a Giuseppe, IA proprietária da NotCo, tende a aumentar a previsibilidade sobre uso de ingredientes e insumos, com impacto em cadeias de soja, ervilha e outras fontes de proteína vegetal.[9][13] Ao mesmo tempo, a operação local nas mãos de um grupo brasileiro pode ajustar portfólio e preço à realidade do varejo nacional, influenciando a velocidade de adoção desses produtos pelo consumidor.

Dados e contexto

A NotCo se tornou unicórnio ao atingir valuation de cerca de US$ 1,5 bilhão após rodada Série D de US$ 235 milhões liderada por Tiger Global.[13][14]

Sua IA proprietária, Giuseppe, analisa propriedades moleculares de alimentos de origem animal e combina ingredientes vegetais para replicar sabor, textura e aroma em produtos como NotMilk, NotBurger e NotMayo.[12][13]

Nos últimos anos, o Brasil vinha ganhando peso na estratégia da companhia:

IndicadorInformação
Valuation da NotCo**US$ 1,5 bilhão**[13][14]
Rodada Série D**US$ 235 milhões**[13]
Pontos de venda no Brasil (fase de expansão)Mais de **1.000 PDVs**, com foco em São Paulo[12][13]
Acordos B2B globaisMais de **35 contratos comerciais** com grandes empresas de alimentos[3]

A empresa vinha ajustando o negócio brasileiro, saindo de congelados e concentrando portfólio em itens de maior valor proteico.[11] Em paralelo, ampliava o uso da IA em projetos com grandes indústrias, movimento que agora ganha protagonismo com a venda das operações locais.[3][10]

No mercado global, a pressão por alternativas plant-based tem relação direta com metas climáticas e redução de emissões da pecuária, tema acompanhado por instituições como FAO e USDA em relatórios de consumo de proteína e mudanças de dieta. Esses dados reforçam o espaço para soluções tecnológicas que reduzam impacto ambiental sem romper com hábitos do consumidor.

O que observar daqui pra frente

Produtores e indústrias devem acompanhar de perto como o grupo Ferrara posicionará a marca NotCo no Brasil e até que ponto os produtos plant-based ganharão escala em redes de varejo regionais. Ao mesmo tempo, o avanço da NotCo como fornecedora de tecnologia de IA para grandes players pode acelerar reformulação de linhas tradicionais, criando cenários de concorrência direta entre proteína animal, produtos mistos e alternativas vegetais, com efeitos práticos sobre demanda, contratos de fornecimento e exigências de sustentabilidade na cadeia.

Fontes

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