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Paraná inicia colheita de trigo e avança na safrinha de milho

Paraná começa a colher trigo enquanto a colheita do milho de 2ª safra chega a cerca de 83% da área, com impacto direto na renda e no abastecimento.

26 de agosto de 2026 4 min de leitura
Paraná inicia colheita de trigo e avança na safrinha de milho

O Paraná iniciou a colheita do trigo e já colheu cerca de 83% da área de milho de 2ª safra, segundo dados do Deral, da Secretaria de Agricultura do estado. O avanço simultâneo dessas duas culturas marca a reta final da safra de grãos de inverno e define a oferta de cereal para indústria, consumo interno e exportação.

O que aconteceu

A colheita do trigo começou em ritmo lento, com apenas uma fração pequena da área retirada do campo, mas já revelando problemas localizados de doenças e excesso de chuva em algumas regiões. Em paralelo, a safrinha de milho avançou rapidamente, saindo de cerca de 73% para 83% da área colhida em poucos dias, consolidando o encerramento da safra em muitos municípios.

Relatórios do Deral indicam que parte das lavouras de trigo está em fase de maturação, enquanto o milho colhido ainda enfrenta questionamentos de qualidade, como grãos ardidos e queda de peso específico em áreas afetadas por clima irregular. Mesmo assim, a maior parte das lavouras de milho foi classificada em condição de boa a média, mantendo volume relevante de oferta.

O cenário de campo mostra produtores focados em finalizar o milho e iniciar o trigo de forma escalonada, para abrir espaço ao plantio de verão com soja e milho 1ª safra. A transição entre inverno e verão exige planejamento apertado de logística, armazenagem e uso de máquinas.

Por que importa para o agro

O avanço da colheita do milho de 2ª safra em 83% reduz o risco climático sobre o restante das lavouras e consolida o volume que será ofertado ao mercado nos próximos meses. Com grande parte da safra já retirada, cooperativas e cerealistas conseguem dimensionar estoques e negociar contratos com indústria de ração, exportadores e produtores integrados.

A entrada do trigo novo, ainda em pequena escala, começa a formar referência de qualidade e preço da safra 2026 no estado. Em regiões onde doenças e excesso de chuvas reduziram o potencial produtivo, há pressão por maiores bonificações para lotes de melhor padrão e possível aumento de seletividade por parte dos moinhos. Isso afeta diretamente a renda do produtor e a disputa por área entre trigo e milho em próximos ciclos.

Dados e contexto

O Paraná está entre os principais produtores de milho safrinha e trigo do Brasil, com forte peso no abastecimento doméstico. Segundo Conab e Deral, o estado responde por parcela significativa da produção de milho de inverno e ocupa liderança em trigo ao lado do Rio Grande do Sul.

Levantamentos recentes indicam:

IndicadorSituação aproximada

| Colheita milho 2ª safra PR | ≈83% da área | | Trigo PR – área plantada | Próximo a 100% da área prevista | | Trigo PR – colheita inicial | Menos de 2% da área, em fase inicial | | Condição lavouras de trigo | Predomínio de condição boa a média |

A Conab estima redução moderada da produção de milho 2ª safra no Paraná em relação à temporada anterior, com impacto de clima e ajuste de área. Já o trigo passa por recuo de área em alguns anos, mas segue estratégico para rotação de cultura e cobertura de solo, prática incentivada por instituições como Embrapa para manejo de solo e plantio direto.

Do lado de mercado, o USDA projeta oferta global confortável de milho, o que limita altas fortes de preço, enquanto o trigo enfrenta maior volatilidade por questões geopolíticas e de clima em grandes produtores. Esse contexto internacional influencia a formação de preço interno e as oportunidades de exportação de grãos paranaenses.

O que observar daqui pra frente

Nos próximos meses, o produtor deve acompanhar de perto a qualidade do milho que ainda falta colher e o desempenho do trigo à medida que a colheita avança. A combinação de possíveis descontos por problemas de qualidade no milho, variação de produtividade no trigo e movimentos de preços em bolsas internacionais tende a orientar decisões de retenção, venda antecipada e escolha de cultivos para a safra de verão. A gestão de armazenagem e contratos será decisiva para preservar margem em um cenário de custos ainda elevados.

Fontes

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