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Por que o agro brasileiro é grande, mas ainda pouco visível

Presidente da ABMRA aponta que a força econômica do agro não se traduz em visibilidade e cobra projeto consistente de comunicação do setor.

12 de setembro de 2026 4 min de leitura
Por que o agro brasileiro é grande, mas ainda pouco visível

O agronegócio responde por cerca de 1/3 do PIB brasileiro e está presente na alimentação, na cultura e na economia diária do país, mas continua pouco percebido pela sociedade urbana. Em entrevista ao Canal Rural, o presidente da ABMRA, Ricardo Nicodemos, afirma que, de tão grande, o agro se tornou “invisível” e cobra um projeto estruturado de comunicação da cadeia produtiva[1][6].

O que aconteceu

Em novo episódio do videocast Radar Rural, do Canal Rural, Ricardo Nicodemos analisou a imagem do agronegócio e a relação do setor com o público urbano. Segundo ele, o agro cresceu em produção, tecnologia e participação no PIB, mas não acompanhou esse avanço com uma estratégia de comunicação consistente[1].

Nicodemos afirma que o agro “nunca se comunicou” de forma planejada e que não construiu uma marca clara para o setor. O resultado é um paradoxo: o agro está no prato, no emprego e na balança comercial, mas grande parte da população não associa seu cotidiano à produção rural[1][10].

A fala do presidente da ABMRA se apoia em pesquisas recentes da entidade. Levantamento sobre hábitos do produtor rural mostra que 65% dos produtores acreditam ser vistos de forma negativa pela população urbana, apesar de outra pesquisa indicar que cerca de 70% dos brasileiros têm visão positiva do agro[6][15]. Esse descompasso reforça, segundo ele, a urgência de um plano de comunicação.

Por que importa para o agro

Para o produtor, a percepção pública influencia diretamente ambiente regulatório, pressão social e acesso a mercados. Um setor visto como problema tem mais risco de enfrentar restrições, barreiras políticas e boicotes de consumidores, mesmo quando os dados técnicos apontam avanços em produtividade e sustentabilidade[5][6].

No mercado, a ausência de uma “marca agro do Brasil” forte e bem explicada dificulta a defesa da reputação do setor diante de crises, notícias negativas ou debates ambientais. Iniciativas como a Marca Agro do Brasil, lançada para aproximar campo e cidade, tentam preencher essa lacuna, mas dependem de coordenação entre entidades, empresas e produtores para ganhar escala[7][12].

Dados e contexto

Pesquisas da ABMRA ajudam a dimensionar o problema de imagem:

  • 65% dos produtores dizem acreditar que são vistos negativamente pela população urbana[6][15].
  • Apenas 5% avaliam que sua imagem é positiva; 30% consideram neutra[6].
  • Em pesquisa com consumidores, cerca de 65% a 70% dos brasileiros declararam percepção positiva sobre o agronegócio, mas 30% se dizem desfavoráveis, com concentração entre jovens de 15 a 29 anos[5][6].
  • A ABMRA trabalha com a meta de converter cerca de 70 milhões de brasileiros da posição neutra para favorável ao agro, com base no percentual de indecisos identificado em estudos nacionais[10].
Ao mesmo tempo, o campo vive forte digitalização. A 9ª Pesquisa ABMRA – Hábitos do Produtor Rural mostra que a internet já alcança 98% das propriedades, e o WhatsApp é usado por 96% dos produtores como principal canal de informação e tomada de decisão[8]. Plataformas como YouTube, sites especializados e buscadores ganharam espaço como fontes de conteúdo técnico[8].

Esses dados indicam que o problema não é falta de canais, e sim de estratégia: há infraestrutura de comunicação, mas o setor ainda não usa esse potencial para contar sua história ao público urbano de forma contínua e unificada[8][12].

O que observar daqui pra frente

Produtores, cooperativas e empresas do agro devem acompanhar a evolução de projetos de marca setorial, campanhas de comunicação e ações voltadas a jovens e moradores de grandes cidades. A tendência é que pressão por transparência, dados ambientais e rastreabilidade aumente, e quem conseguir explicar de forma simples sua contribuição econômica, social e ambiental terá mais chances de manter acesso a mercados, financiamento e apoio político[7][10][12].

Fontes

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