Manejo

Qual a melhor raça bovina para produzir carne no Brasil?

Especialista da Embrapa explica por que não existe uma única melhor raça de corte e como escolher a genética certa para cada fazenda.

22 de agosto de 2026 4 min de leitura
Qual a melhor raça bovina para produzir carne no Brasil?

Não existe uma única melhor raça de corte para todo o Brasil. A resposta dos técnicos da Embrapa Gado de Corte é direta: a raça ideal depende do clima, do sistema de produção, da oferta de comida e do mercado que o produtor atende. Escolher só pelo nome da raça, sem olhar dados e ambiente, aumenta o risco de investir em genética que não entrega retorno.

O que aconteceu

No quadro "Genética em Prosa", parceria do programa Giro do Boi com o Programa de Melhoramento Genético Geneplus/Embrapa, um produtor de Rondônia perguntou qual seria a melhor raça para produzir carne. O pesquisador Gilberto Menezes, da Embrapa, respondeu que não existe raça perfeita ou universal para o país.

Segundo o especialista, o Brasil tem realidades muito diferentes: regiões quentes e úmidas, áreas de altitude, fazendas com pasto limitado ou abundante, sistemas a pasto, semiconfinamento e confinamento. Em cada cenário, raças zebuínas, taurinas, taurinas adaptadas ou compostas podem ter desempenhos muito diferentes, mesmo com o mesmo manejo.

O pesquisador reforçou que o foco deve sair da "raça da moda" e ir para indivíduos provados, com avaliações genéticas, desempenho medido e adaptação comprovada ao sistema da fazenda. Dentro da mesma raça, há animais que ganham mais peso, são mais férteis ou se adaptam melhor ao calor e à falta de comida.

Imagem

Por que importa para o agro

A pecuária brasileira é baseada em gado de corte a pasto, com forte presença do Nelore, mas o mercado exige cada vez mais padronização de carcaça, acabamento e precocidade. Quem escolhe genética só por nome de raça ou aparência pode aumentar custos e não ganhar em arrobas por hectare.

Com a arroba pressionada e custos de insumos ainda elevados, a margem está na eficiência por hectare: desmamar bezerros mais pesados, reduzir idade ao abate e melhorar rendimento de carcaça. A escolha correta da composição racial e do tipo de animal para cada sistema pesa direto no caixa do produtor.

Dados e contexto

A estrutura do rebanho brasileiro explica por que o debate não é de uma raça só:

  • O Brasil tem cerca de 234 milhões de cabeças de bovinos, segundo o IBGE, com forte predominância de raças zebuínas, especialmente Nelore.
  • De acordo com a Embrapa Gado de Corte, as raças bovinas são agrupadas em quatro grandes categorias:
- Taurinas (ex.: Angus, Hereford) - Taurinas adaptadas (ex.: Caracu, Bonsmara) - Zebuínas (ex.: Nelore, Brahman) - Compostas (ex.: Brangus, Braford, Canchim, Santa Gertrudis)

Cada grupo traz vantagens e limitações:

Tipo de raçaPontos fortes geraisCuidados principais
Zebuínas (Nelore etc.)Alta rusticidade, adaptação ao calor, boa fertilidadePode ter carne menos marmorizada; exige manejo para qualidade de carcaça
Taurinas (Angus etc.)Alta qualidade de carne, precocidadeMenor tolerância a calor e parasitas em clima tropical úmido
Taurinas adaptadasCombinação de carne melhor com adaptação ao calorExigem programas bem conduzidos para explorar o potencial
CompostasIntegram rusticidade e desempenho de carcaçaSeleção precisa para manter equilíbrio entre características

Programas como Geneplus/Embrapa usam DEPs (Diferenças Esperadas na Progênie) para selecionar animais mais eficientes em ganho de peso, fertilidade, habilidade materna, rendimento e qualidade de carne. A orientação do especialista é escolher:

  • Raças e cruzamentos que se ajustem à oferta de forragem e ao tipo de terminação (pasto, semiconfinamento ou confinamento).
  • Touros e matrizes com avaliação genética, em vez de decidir com base em preferência pessoal ou moda.
  • Biotipos coerentes com o nível de investimento em nutrição e sanidade da fazenda.

O que observar daqui pra frente

Para o produtor que quer ganhar dinheiro com carne, o passo seguinte é alinhar o planejamento genético ao planejamento de pastagens e nutrição. Isso inclui definir um programa de cruzamento simples, usar touros provados de raças adaptadas ao ambiente da fazenda e acompanhar, na balança, se os bezerros desmamam mais pesados e se o abate ficou mais precoce. Quem medir resultado e ajustar a genética com base em dados tende a capturar melhor os prêmios de mercado por carcaças padronizadas e bem acabadas.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo