Manejo

Raça bovina quase esquecida vira aliada da Espanha contra incêndios

Na Galícia, a vaca Cachena voltou aos campos para controlar a vegetação inflamável e reduzir o risco de queimadas, em estratégia que interessa direto ao agro.

02 de agosto de 2026 4 min de leitura
Raça bovina quase esquecida vira aliada da Espanha contra incêndios

Na Galícia, região noroeste da Espanha, produtores e comunidades rurais reintroduziram a vaca Cachena, raça pequena e rústica, como ferramenta de manejo da vegetação inflamável em áreas de alto risco de incêndios.[1][3] A estratégia usa o pastoreio para reduzir o “combustível” disponível no solo, em um país que vem registrando temporadas críticas de fogo, com impacto direto sobre florestas, áreas agrícolas e comunidades.[1][3]

O que aconteceu

Após grandes incêndios na Espanha, especialmente em 2025, a Galícia virou referência em iniciativas locais de prevenção, combinando manejo tradicional e foco em restauração de ecossistemas.[3][4] Em Vincios, comunidade afetada por um incêndio em 2017, associações decidiram recuperar uma prática antiga: soltar animais nativos – vacas, ovelhas e cabras – em áreas de mata e serra para controlar o mato.[1][3]

A Cachena, conhecida pelas pernas curtas, chifres longos e habilidade em terrenos montanhosos, estava em declínio e quase esquecida.[1][4] Com os novos programas de manejo, seu rebanho cresceu de poucas centenas de animais, nos anos 1990, para dezenas de milhares, apoiado por incentivos locais e custo menor de criação.[4] Esses bovinos pastam arbustos, gramíneas e plantas lenhosas que funcionam como material combustível, ajudando a impedir que o fogo do solo alcance as copas de árvores.[3][4]

Imagem

Além das vacas, produtores usam cabras e ovelhas, que complementam o controle de diferentes tipos de vegetação.[1][3] O objetivo não é limpar totalmente a paisagem, mas manter a vegetação em níveis que reduzam a intensidade e velocidade de um possível incêndio, preservando a biodiversidade local.[1][3]

Por que importa para o agro

Para o agro, a experiência espanhola mostra que manejo com animais pode ser ferramenta prática de prevenção de incêndios e de redução de custos com roçada mecânica ou química. Em regiões brasileiras com clima seco, presença de pastagens degradadas e avanço de fogo em áreas de produção, integrar rebanho em zonas de risco pode virar estratégia de manejo integrado.[2]

O caso da Cachena reforça o valor de raças rústicas e adaptadas a ambientes específicos. No Brasil, raças locais de bovinos, ovinos e caprinos podem ter papel semelhante em áreas de serra, caatinga, campos nativos e transição florestal, combinando produção de carne ou leite com serviços ambientais, como controle de mato e redução de carga de combustível vegetal.[2]

Dados e contexto

Na Espanha, o país enfrentou seu pior ano recente de incêndios em 2025, com grandes áreas queimadas em regiões florestais e rurais.[3][5] A Galícia, marcada por forte presença de pínus e eucalipto, espécies altamente inflamáveis, tornou-se foco de iniciativas para reequilibrar o uso da terra, aproximando pecuária, manejo comunitário e conservação.[4]

A Cachena é descrita como uma raça:

  • Pequena e resistente, adaptada a relevo acidentado.[1][4]
  • Capaz de consumir diversos tipos de vegetação, incluindo arbustos e plantas lenhosas.[1][4]
  • De baixo custo de manutenção, favorecendo pequenos produtores.[4]
Segundo reportagens internacionais, o número de animais da raça na Galícia passou de cerca de 1.800 nos anos 1990 para mais de 30 mil em 2026, apoiado por programas locais de incentivo.[4] Essa expansão acompanha o uso planejado do pastoreio em áreas de risco, substituindo em parte o abandono de terras e o predomínio de monoculturas florestais inflamáveis.[3][4]

A lógica é simples: menos material vegetal acumulado no solo significa menor intensidade de fogo em períodos de seca.[2][3] O manejo com gado não elimina a necessidade de brigadas, aceiros e monitoramento, mas entra como componente adicional de um sistema de prevenção.

O que observar daqui pra frente

Produtores e gestores rurais podem acompanhar como a Espanha consolida essa estratégia, medindo resultados em área queimada, custo de manejo e impacto sobre produção pecuária. Para o Brasil, oportunidades surgem em projetos-piloto que usem raças rústicas em áreas de transição agroflorestal, além de possíveis políticas públicas que valorizem o serviço ambiental prestado pelo rebanho, conectando pecuária de baixo impacto e prevenção de incêndios em paisagens agrícolas e florestais.

Fontes

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