Manejo

Rally das Forrageiras leva soluções contra a seca a 600 participantes em Alagoas

Etapa do Rally das Forrageiras em Monteirópolis (AL) reuniu 600 pessoas e apresentou tecnologias de alimentação para manter rebanhos produtivos na seca do Semiárido.

13 de setembro de 2026 4 min de leitura
Rally das Forrageiras leva soluções contra a seca a 600 participantes em Alagoas

A etapa do Rally das Forrageiras para o Semiárido em Monteirópolis, Sertão de Alagoas, reuniu cerca de 600 participantes entre produtores, técnicos e estudantes para conhecer, no campo, alternativas de alimentação capazes de manter rebanhos produtivos durante a seca. O foco foi apresentar um "cardápio forrageiro" com espécies adaptadas ao Semiárido e estratégias de manejo que garantem oferta de alimento ao longo do ano.

O que aconteceu

O Dia de Campo foi realizado na Unidade de Referência Tecnológica (URT) do Projeto Forrageiras para o Semiárido, que testa diferentes plantas forrageiras em condições reais de fazenda. A programação combinou visitas a áreas experimentais com palestras técnicas sobre escolha de espécies, formação de pastagens e conservação de forragem.

Produtores acompanharam de perto o desempenho de capins perenes, sorgo, milheto, milho e palma forrageira, avaliando produtividade, resistência ao déficit hídrico e qualidade nutricional. O objetivo é mostrar, na prática, quais combinações funcionam melhor para gado de leite nas condições do Semiárido alagoano.

Os resultados apresentados indicam ganhos de desempenho acima do esperado: em alguns experimentos, a combinação de diferentes forrageiras com silagem de palma e suplementação gerou média de 650 g de ganho de peso por animal/dia, frente a uma meta inicial de cerca de 400 g. Esses números chamaram a atenção dos produtores pela possibilidade de elevar a produtividade mesmo em anos de chuvas irregulares.

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Por que importa para o agro

A estiagem prolongada é hoje um dos principais fatores de quebra na pecuária do Semiárido, com impacto direto em custo de produção, taxa de lotação e qualidade do leite e da carne. Ao mostrar sistemas que mantêm o rebanho alimentado na seca, o Rally oferece ao produtor uma rota prática para reduzir compras emergenciais de ração e evitar redução drástica do plantel.

O conceito de cardápio forrageiro, com uso combinado de gramíneas, culturas anuais para silagem e cactáceas como palma, ajuda a diluir riscos climáticos e estabilizar a produção ao longo do ano. Para cooperativas, laticínios e indústrias de insumos, a adoção dessas tecnologias significa maior regularidade de entrega, redução de sazonalidade e oportunidades em serviços de assistência técnica e venda de sementes adaptadas.

Dados e contexto

Pesquisas do projeto Forrageiras para o Semiárido, em parceria com a Embrapa, mostram que a diversificação de plantas é mais eficiente que apostar em uma única espécie para enfrentar a seca. Em linhas gerais, o sistema combina três grupos principais:

Grupo de plantasFunção no sistema de alimentação
Culturas anuais (sorgo, milho, milheto)Produção de silagem na época chuvosa
Cactáceas e lenhosas perenes (palma, arbustos)"Poupança forrageira" para períodos críticos de estiagem
Gramíneas perenes (capins adaptados)Pastejo contínuo, com tolerância ao estresse hídrico

Segundo a Embrapa, em partes do Semiárido a seca pode durar 6 a 8 meses por ano, exigindo planejamento alimentar de longo prazo. A recomendação é produzir silagem na estação chuvosa e armazenar como reserva estratégica, associando palma forrageira e capins tolerantes à seca para garantir fibra e energia ao rebanho.

A etapa de Monteirópolis integra uma agenda maior do Rally, que percorre municípios do Semiárido com foco em diferentes sistemas produtivos (gado de leite, corte e ovinos). As ações incluem demonstrações a campo, recursos multimídia e realidade virtual em unidades móveis, aproximando produtores das tecnologias desenvolvidas em mais de uma década de pesquisa em alimentação de rebanhos na região.

O que observar daqui pra frente

Para o produtor, o próximo passo é transformar conhecimento em prática: ajustar áreas de pastagem, investir em espécies adaptadas, planejar a produção de silagem na chuva e estruturar uma reserva estratégica de alimento para a seca. A adoção consistente dessas tecnologias tende a reduzir perdas por estiagem, aumentar a lotação por hectare e abrir espaço para maior integração com laticínios e programas de assistência técnica voltados à pecuária de leite no Semiárido.

Fontes

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