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Riza cria fundo de R$ 100 milhões para levar brasileiros às terras da Bolívia

Gestora Riza lança fundo de R$ 100 milhões para desenvolver 22 mil hectares na Bolívia e abrir nova fronteira de soja e milho para investidores brasileiros.

19 de agosto de 2026 4 min de leitura
Riza cria fundo de R$ 100 milhões para levar brasileiros às terras da Bolívia

A gestora Riza Asset lançou um fundo de cerca de R$ 100 milhões para comprar e desenvolver 22 mil hectares na Bolívia, em região próxima à fronteira com Rondônia. O objetivo é transformar áreas de pastagem em lavouras de soja e milho ao longo de um ciclo de oito anos, abrindo uma nova frente de expansão para investidores brasileiros em terras agrícolas fora do país.

O que aconteceu

A Riza estruturou um veículo de investimento de US$ 20 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 100 milhões, focado no departamento de Beni, ao norte da Bolívia, área que vem atraindo empresários do agro brasileiro.[1][2] A operação é feita em parceria com a Yata Investment Management, gestora que já atua há quatro anos na região.[1]

O fundo tem a tese de comprar áreas hoje usadas como pecuária extensiva e convertê-las em agricultura de grãos, principalmente soja e milho, com posterior venda dos ativos ao fim de um ciclo estimado em oito anos.[1] A captação segue aberta e deve ser concluída em outubro, mirando investidores que querem exposição a terras agrícolas com potencial de valorização e ganho de produtividade.[1]

Por que importa para o agro

O movimento reforça a estratégia de parte do capital brasileiro de buscar novas fronteiras agrícolas fora do território nacional, em países com custo de terra mais baixo e ambiente regulatório mais simples para abertura de áreas. Para produtores e investidores, isso significa alternativas de expansão em um momento de pressão por restrições ambientais e maior fiscalização sobre desmatamento no Brasil.

Para a cadeia do agro, a conversão de pastagens em lavouras na Bolívia amplia a oferta regional de grãos, com impacto potencial em logística, demanda por insumos e serviços técnicos. Empresas de sementes, defensivos, fertilizantes e máquinas podem encontrar na região um novo polo de crescimento, conectado à expertise e tecnologia já consolidadas pelo agronegócio brasileiro.

Dados e contexto

A Riza é hoje uma das principais gestoras ligadas ao agronegócio, com cerca de R$ 25 bilhões sob gestão e histórico em fundos de terras e crédito para o setor.[1][6][13] Sua atuação inclui produtos como o fundo imobiliário de terras Terrax e Fiagros focados em sale & leaseback e crédito estruturado para produtores de soja, milho e algodão.[7][11][14]

Na Bolívia, o projeto mira 22 mil hectares em Beni, região de planícies com vocação para pecuária e agricultura mecanizada.[1] O modelo de negócio combina:

  • Compra de propriedades com potencial agronômico.
  • Conversão de pastagens em lavouras de soja e milho.
  • Desenvolvimento de infraestrutura básica (estradas internas, armazenagem, correção de solo).
  • Venda das fazendas após maturação do projeto, estimada em oito anos.[1]
Alguns grandes nomes do agro brasileiro já investem em terras na Bolívia, reforçando a percepção de oportunidade na região.[4] O país oferece tributação e regras de uso da terra distintas das brasileiras, além de estar integrado a cadeias de exportação de grãos para mercados como China e países vizinhos.

Em termos de contexto regional, dados de instituições como USDA e Conab apontam crescimento contínuo da produção de soja na América do Sul, com expansão de áreas na Bolívia, Paraguai e Argentina em complementaridade ao Brasil. Esse avanço reforça a tendência de consolidação do Cone Sul como principal origem global de soja e milho.

IndicadorValor aproximado

| Tamanho do projeto na Bolívia | 22 mil ha[1] | | Tamanho do fundo | US$ 20 mi / R$ 100 mi[1] | | Ativos totais da Riza | R$ 25 bi sob gestão[1][13] | | Prazo estimado do ciclo do fundo| 8 anos[1] |

O que observar daqui pra frente

Produtores e investidores devem acompanhar a execução agronômica do projeto, a velocidade de conversão das áreas e o desempenho econômico frente a variáveis como custos de insumos, logística e preço internacional de soja e milho. Mudanças regulatórias na Bolívia, exigências ambientais e flutuações cambiais também entram no radar, podendo criar oportunidades de ganho adicional ou pressionar a rentabilidade das operações de terras fora do Brasil.

Fontes

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