Mercado

Safra 2026/27 de cana é estimada em 705,2 milhões de toneladas no Brasil

Conab projeta produção de 705,2 milhões de toneladas de cana em 2026/27, com avanço de área e produtividade, reforçando oferta de açúcar e etanol.

20 de agosto de 2026 4 min de leitura
Safra 2026/27 de cana é estimada em 705,2 milhões de toneladas no Brasil

A safra brasileira de cana-de-açúcar 2026/27 foi estimada em 705,2 milhões de toneladas, segundo levantamento da Conab, com crescimento sobre o ciclo anterior puxado por aumento de área e ganho de produtividade. O número consolida o Brasil como principal fornecedor global de açúcar e reforça a oferta de matéria-prima para etanol, com implicações diretas em preços, margem industrial e renda do produtor.

O que aconteceu

O primeiro levantamento da Conab para a safra 2026/27 projeta que a produção nacional de cana deve avançar cerca de 4,7% em relação a 2025/26. A alta decorre de uma combinação de expansão de área colhida, estimada em pouco mais de 1%, e melhora de cerca de 3,6% na produtividade média nacional.

A região Sudeste segue como principal polo canavieiro, respondendo pela maior parte do volume projetado, apoiada em clima favorável e investimento em manejo e renovação de canaviais. O avanço também é sustentado pela maior mecanização, uso de variedades mais produtivas e ajustes de tecnologia de solo, o que tem elevado o rendimento por hectare.

Imagem

Por que importa para o agro

Para o produtor, a perspectiva de safra maior tende a ampliar a oferta de contratos com usinas e pode favorecer investimentos em reforma de áreas e tecnologia, sobretudo onde o custo de produção está sob controle. Ao mesmo tempo, o aumento da moagem exige atenção à eficiência operacional e à logística de colheita e transporte, para capturar ganhos de produtividade sem elevar demais o custo por tonelada.

No mercado, mais cana significa mais flexibilidade para o mix entre açúcar e etanol, impactando preços internos e externos. Com projeções de déficit no mercado mundial de açúcar em 2025/26 e 2026/27, a maior disponibilidade brasileira pode sustentar exportações em patamar elevado, enquanto o etanol segue competitivo frente à gasolina em boa parte do país, influenciando a estratégia das usinas.

Dados e contexto

A Conab indica que o aumento da safra 2026/27 é resultado direto de três fatores principais:

  • Produção total: cerca de 705,2 milhões de toneladas, alta de aproximadamente 4,7% sobre 2025/26.
  • Área colhida: avanço próximo de 1,1%, com expansão em regiões de maior competitividade e recuo em áreas marginais.
  • Produtividade média: ganho de cerca de 3,6%, apoiado em clima mais favorável, manejo aprimorado e renovação de canaviais.
Consultorias privadas, como Datagro e Safras & Mercado, também vêm apontando aumento na moagem de cana para 2026/27, com números entre cerca de 635 milhões e quase 680 milhões de toneladas em diferentes cenários de clima e manejo. Essas variações refletem metodologias distintas de estimativa, mas convergem para uma tendência de crescimento moderado da oferta.

No Centro-Sul, projeções de mercado indicam que a safra pode se aproximar ou superar a marca histórica, com moagem acima de 620 milhões de toneladas em alguns estudos. Esse movimento reforça a importância da região como referência para formação de preços de açúcar e etanol e para o fluxo de exportações brasileiras.

O que observar daqui pra frente

Produtores e usinas devem acompanhar de perto a evolução do clima ao longo da temporada, sobretudo em áreas de maior risco hídrico, além de possíveis ajustes nas projeções da Conab em novos levantamentos. O comportamento dos preços internacionais de açúcar e da gasolina, a política de combustíveis e eventuais mudanças regulatórias vão definir o mix ideal entre açúcar e etanol e influenciar margem, investimentos e oportunidades de travamento de preços para a safra 2026/27.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo