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Safra recorde não garante mais rentabilidade ao produtor

Produção histórica de grãos convive com margens apertadas, queda de preços e custos altos, mudando o foco do agro de volume para rentabilidade.

20 de setembro de 2026 4 min de leitura
Safra recorde não garante mais rentabilidade ao produtor

A nova safra de grãos no Brasil deve repetir volumes recordes, mas isso já não significa caixa cheio no fim da colheita. Com preços mais baixos, custos de produção elevados e crédito mais caro, muitos produtores colhem mais e lucram menos, o que acende um alerta para a gestão financeira no campo.

O que aconteceu

Em ciclos recentes, a área plantada e a produtividade avançaram, puxando a produção de grãos para patamares históricos. Em várias regiões, a soja, o milho e outras culturas devem registrar novos recordes de volume por safra.

Ao mesmo tempo, a margem do produtor encolheu. Consultorias, bancos e entidades do setor mostram que, em muitas propriedades, a receita não acompanha o aumento da produção porque o preço da saca caiu, o custo por hectare subiu e o custo financeiro pesa mais no resultado.

Há casos em que a rentabilidade se aproxima do breakeven, ou seja, o produtor paga a conta, mas sobra pouco para investimento, capital de giro ou amortização de dívidas. Quem está mais alavancado entra na safra com risco real de operar no vermelho.

Por que importa para o agro

O avanço da produção sem expansão da margem comprime a capacidade de investimento do produtor em tecnologia, manejo, armazenagem e mitigação de risco. Isso afeta não só a próxima safra, mas a competitividade de toda a cadeia, da indústria à logística.

Com menor geração de caixa, aumenta a dependência de crédito bancário e financiamento de insumos, em um cenário de juros ainda elevados e inadimplência crescente no agro. O resultado é mais vulnerabilidade a choques de clima, câmbio e preço internacional.

Dados e contexto

Nos últimos anos, instituições como Conab, CNA e Cepea/Esalq vêm apontando uma combinação de recorde produtivo com queda de margem:

  • Safra de grãos acima de 320 milhões de toneladas, segundo estimativas recentes de Conab.
  • Redução de 68% na margem bruta da soja em comparação à safra 2021/22, conforme levantamento da CNA.
  • Queda próxima de 92% na margem do milho em algumas regiões, em dados compilados pelo Cepea.
Em paralelo, o custo de produção segue pressionado:
  • Fertilizantes, defensivos e frete representam fatia relevante do custo por hectare.
  • Juros altos aumentam o peso das despesas financeiras.
Uma visão simplificada do cenário pode ser resumida assim:
IndicadorTendência recente

| Produção de grãos | Alta / recorde | | Preço médio da saca | Queda ou estabilidade | | Custo por hectare | Alta / pressionado | | Margem do produtor | Queda acentuada |

Esse movimento não se restringe à agricultura. Na pecuária de corte, leite e outras atividades, relatórios de mercado mostram margens menores, mesmo com produtividade maior e uso intensivo de tecnologia.

O que observar daqui pra frente

Produtor e cadeia precisam acompanhar menos o tamanho da safra e mais a relação entre preço, custo e endividamento. Gestão de risco de preço, contratação antecipada, uso estratégico de seguros e atenção ao custo financeiro serão decisivos para transformar produção recorde em renda sustentável, sobretudo em um cenário de clima mais instável e mercado internacional volátil.

Fontes

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