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Santander vê espaço para forte alta em ações do agro, mas mantém cautela

Banco enxerga potencial de até 151% em ações ligadas ao agronegócio, mas destaca risco de supersafra, juros altos e pressão de custos.

24 de agosto de 2026 4 min de leitura
Santander vê espaço para forte alta em ações do agro, mas mantém cautela

O Santander divulgou relatório sobre empresas ligadas ao agronegócio brasileiro combinando potenciais de valorização que podem chegar a três dígitos com uma leitura cautelosa do cenário. O banco destaca ganhos relevantes em ações como SLC Agrícola e JBS, mas chama atenção para supersafra, juros altos, alavancagem e custos de insumos, que podem limitar parte desse movimento.

O que aconteceu

Nos últimos meses, o Santander revisou suas recomendações e preços-alvo para ações do agro, alternando momentos de maior otimismo com ajustes mais prudentes. Em diferentes relatórios, o banco manteve ou reforçou visão positiva para companhias como SLC Agrícola, ao mesmo tempo em que alertou para riscos relevantes na geração de caixa e nas margens.[5][11][12]

Em um dos relatórios, o banco chegou a projetar potenciais de valorização superiores a 50% para SLC, elevando preço-alvo e mantendo recomendação de desempenho acima da média do mercado. Em outros momentos, reduziu o preço-alvo e adotou tom mais conservador, diante de ciclos de investimento intensos, custo de fertilizantes e volatilidade de commodities.[5][10][12]

A leitura para JBS também alterna entre otimismo e cautela. Houve períodos em que o Santander reforçou recomendação de compra, com upside acima de 40%, apoiado em dados do USDA sobre oferta de grãos e custos de alimentação do gado.[7] Em outro relatório, o banco reduziu a recomendação para neutra, apontando deterioração dos fundamentos da operação de carne bovina nos Estados Unidos e pressão mais prolongada sobre resultados.[3]

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Por que importa para o agro

A combinação de alto potencial de valorização em bolsa com alertas de risco mostra um agro em transição: mais capitalizado e sofisticado no mercado financeiro, mas exposto a ciclos de supersafra, margens apertadas e crédito mais seletivo. Para o produtor, isso significa que empresas da cadeia – tradings, processadoras, agroindústrias – podem passar por fases de ajuste que afetam preços, demanda e ritmo de investimentos.[2][13][15]

Para investidores do setor, os relatórios do Santander indicam que não basta olhar apenas para a possibilidade de alta das ações. A análise de caixa, alavancagem, custo de fertilizantes, dinâmica de exportação e políticas de biocombustíveis é central para entender quais empresas conseguem atravessar períodos de pressão mantendo geração de valor.[5][6][10]

Dados e contexto

O cenário descrito pelo banco dialoga com números oficiais que mostram um agro produtivo, porém pressionado:

  • A Conab projeta supersafras recorrentes de grãos, aumentando oferta e pressionando preços em alguns ciclos.
  • O USDA aponta estoques globais elevados de soja e milho em determinadas safras, reforçando volatilidade internacional.
  • O IBGE registra expansão contínua da área plantada e da produtividade em lavouras como soja, milho e algodão.
  • Em relatórios recentes, o próprio Santander indica aumento de provisões na carteira de crédito agro, concentradas em grandes empresas em recuperação judicial ou com menor perspectiva de recuperação.[15]
Nas empresas analisadas, alguns vetores aparecem com frequência:
Fator-chaveEfeito nas ações do agro
Preço de fertilizantesPressiona margens e caixa, reduzindo potencial de alta em momentos de custos elevados.[10]

| Ciclo de investimentos | Exige capital e pode limitar geração de caixa no curto e médio prazo.[5] | | Biocombustíveis | Sustenta demanda por grãos e óleos vegetais, apoiando preços e receitas de exportadoras.[5][6] | | Câmbio | Desvalorização do real melhora competitividade, mas aumenta custos de insumos importados.[5][7] |

O que observar daqui pra frente

Quem produz, investe ou financia o agro precisa acompanhar três frentes: margens das empresas listadas, custo de insumos (especialmente fertilizantes e defensivos) e ritmo de supersafras no Brasil e nos EUA. Em um ambiente de juros ainda elevados e crédito mais seletivo, empresas com menor alavancagem, capacidade de repassar preços e diversificação geográfica tendem a capturar melhor o potencial de valorização apontado pelo Santander, enquanto negócios mais apertados em caixa podem ficar pelo caminho, mesmo com cenários de alta para commodities.

Fontes

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