Manejo

Seminário no RS debate estratégias contra estresse térmico em vacas leiteiras

Evento em Boa Vista das Missões reuniu produtores e técnicos para discutir os efeitos do calor sobre a produção e o bem-estar do rebanho leiteiro.

30 de outubro de 2026 4 min de leitura
Seminário no RS debate estratégias contra estresse térmico em vacas leiteiras

O estresse térmico entrou no centro das discussões de um seminário realizado em Boa Vista das Missões, no Rio Grande do Sul. O evento reuniu produtores, técnicos e especialistas para tratar dos efeitos do calor sobre o consumo de alimento, a reprodução, a saúde e a produção de leite.

Com ondas de calor mais frequentes, o manejo das vacas precisa considerar não apenas a temperatura, mas também a umidade, a ventilação, a disponibilidade de sombra e o acesso à água. A combinação desses fatores pode reduzir o desempenho do rebanho e elevar os custos da atividade.

O que aconteceu

O seminário apresentou orientações para identificar sinais de estresse térmico e adotar medidas preventivas nas propriedades. Entre os sintomas estão aumento da frequência respiratória, maior procura por água e sombra, redução do consumo de matéria seca e menor atividade física.

A discussão também abordou o impacto do calor sobre vacas em lactação. Animais de alta produção geram mais calor metabólico e tendem a ser mais vulneráveis, principalmente quando permanecem em instalações sem ventilação ou em áreas com pouca proteção contra a radiação solar.

O Índice de Temperatura e Umidade, conhecido como ITU, é uma das ferramentas utilizadas para acompanhar o risco. O indicador combina temperatura e umidade relativa do ar e permite antecipar decisões de manejo durante os períodos mais quentes.

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Por que importa para o agro

A redução do consumo de alimento compromete a produção de leite e pode afetar a condição corporal das vacas. O calor também interfere na fertilidade, aumenta a ocorrência de problemas sanitários e prejudica a qualidade do leite quando o rebanho enfrenta condições adversas por vários dias.

Para o produtor, medidas simples podem evitar perdas. Sombra natural ou artificial, água limpa e fresca em quantidade suficiente, ventilação e ajustes nos horários de alimentação ajudam a reduzir a carga térmica. Em sistemas intensivos, aspersores e ventiladores podem complementar o manejo.

Dados e contexto

A Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul aponta que o estresse térmico pode reduzir o consumo de alimento, afetar a reprodução, aumentar doenças e diminuir a produção e a qualidade do leite. O risco depende da interação entre clima, raça, idade, condição corporal, estágio de lactação e densidade animal.

O Ministério da Agricultura orienta que, em situações de risco elevado, o produtor tenha um plano de emergência. As ações podem incluir oferta adicional de água, reforço da sombra, redução da lotação e uso de sistemas de resfriamento.

Estudos da Embrapa mostram que o estresse térmico pode provocar redução simultânea do consumo alimentar e da produção de leite. Em uma avaliação no Sudeste, foram estimadas perdas de até 4 quilos de leite por vaca por dia em áreas litorâneas, dependendo do nível produtivo e das condições climáticas.

Fator de riscoMedida de manejo
Temperatura e umidade elevadasMonitorar o ITU
Falta de sombraInstalar proteção natural ou artificial
Baixa oferta de águaGarantir água limpa e fresca continuamente
Instalações quentesMelhorar ventilação e usar resfriamento
Maior produção individualPriorizar vacas em lactação e pré-parto

O que observar daqui pra frente

O produtor deve acompanhar previsões meteorológicas, comportamento dos animais e consumo de água, principalmente antes e durante ondas de calor. A oportunidade está em transformar o monitoramento em rotina: investimentos em sombra, ventilação e abastecimento podem preservar a produção, reduzir problemas reprodutivos e melhorar o bem-estar do rebanho.

Fontes

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