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SLC Agrícola estreia com emissão de R$ 515 milhões em CPR-F

SLC Agrícola lança sua primeira CPR-F de R$ 515,5 milhões para financiar operações agrícolas com dívida atrelada ao dólar.

12 de setembro de 2026 4 min de leitura
SLC Agrícola estreia com emissão de R$ 515 milhões em CPR-F

A SLC Agrícola aprovou sua primeira emissão de CPR-F (Cédula de Produto Rural Financeira), num total de R$ 515,48 milhões, para financiar produção, beneficiamento e comercialização de suas lavouras. A operação alonga o perfil da dívida, reforça o caixa em plena safra e atrela parte do passivo ao dólar, ponto estratégico para uma empresa exportadora de commodities.

O que aconteceu

A emissão será composta por 515.480 títulos de R$ 1 mil cada, com vencimento final em 15 de setembro de 2033. O pagamento do principal será feito em duas parcelas iguais, uma em setembro de 2031 e outra na data de vencimento, o que reduz a pressão de curto prazo sobre o fluxo de caixa.

A remuneração será de 95,5% da taxa DI acumulada, referência direta ao custo do dinheiro no mercado doméstico. A operação contará com fiança de 100% do saldo devedor prestada pelo Bradesco, incluindo juros e encargos, e distribuição restrita a investidores profissionais, sob coordenação do Bradesco BBI.

Os recursos serão vinculados ao dólar via swap, fazendo o custo efetivo da dívida acompanhar a variação da moeda norte-americana acrescida de um spread de 6,15% ao ano. O dinheiro vai para o ciclo produtivo: custeio da safra, investimentos em tecnologia, armazenagem e comercialização.

Por que importa para o agro

A entrada da SLC Agrícola no mercado de CPR-F mostra como grandes grupos do agro estão usando instrumentos financeiros sofisticados para financiar a produção com custo competitivo e prazos longos. Esse movimento tende a consolidar a CPR-F como alternativa relevante ao crédito bancário tradicional, ampliando o cardápio de financiamento do agronegócio.

Quando uma empresa de referência em grãos e fibras abre caminho com operações estruturadas, o mercado ganha parâmetros de taxa, prazo e garantias. Isso pode facilitar emissões futuras de cooperativas, tradings e produtores com melhor estrutura de gestão, puxando a profissionalização do crédito rural além dos programas subsidiados do Plano Safra, coordenado pelo MAPA.

Dados e contexto

  • Valor total da emissão: R$ 515,48 milhões
  • Quantidade de títulos: 515.480 CPR-F
  • Valor unitário: R$ 1.000
  • Vencimento final: 15/09/2033
  • Amortização do principal: duas parcelas iguais (2031 e 2033)
  • Remuneração: 95,5% da taxa DI acumulada
  • Fiança: 100% do saldo devedor pelo Bradesco
  • Coordenador da oferta: Bradesco BBI
  • Indexação: dólar + spread de 6,15% ao ano (via swap)
A CPR-F é um título lastreado em produção futura, regulado por legislação específica e usado como base para emissões de CRA (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) no mercado de capitais. Operações desse tipo complementam o crédito oficial, que segundo dados da Conab e do Banco Central, ainda concentra grande parte do financiamento da safra, sobretudo para médios e pequenos produtores.

A SLC já vinha usando o mercado de capitais, com emissões anteriores de CRA superiores a R$ 1 bilhão, para alongar dívidas e diversificar fontes. Ao acoplar a CPR-F direta à sua estrutura de captação, a empresa reforça uma tendência de grandes players: combinar receita em dólar com passivo também atrelado à moeda, reduzindo risco cambial.

O que observar daqui pra frente

Para o produtor e para o mercado, o ponto central será acompanhar como operações de CPR-F de grande porte influenciam taxas, prazos e exigência de garantias em futuras emissões, inclusive de empresas menores. Se o apetite dos investidores se mantiver, o agro pode ganhar um canal mais estável de financiamento privado, menos dependente de subsídios e margens bancárias, abrindo espaço para novos modelos de parceria, barter financeiro e integração entre produção e mercado de capitais.

Fontes

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