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Soja em Mato Grosso atinge maior preço do ano, mas indústria perde margem

Preço médio da soja em Mato Grosso sobe para R$ 116,74 por saca em julho, enquanto a margem de esmagamento da indústria recua mais de 20%.

06 de agosto de 2026 4 min de leitura
Soja em Mato Grosso atinge maior preço do ano, mas indústria perde margem

A soja em Mato Grosso encerrou julho com a maior média de preços de 2026, em R$ 116,74 por saca, impulsionada pela alta em Chicago e pela demanda interna aquecida.[1][12] Ao mesmo tempo, a indústria de esmagamento viu sua margem cair mais de 20% no mês, pressionada pelo encarecimento do grão e pela concorrência de subprodutos de milho, o que acende alerta para a rentabilidade ao longo da cadeia.[1][12]

O que aconteceu

Dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que o preço médio da soja em Mato Grosso subiu 9,49% em relação a junho e 3,91% frente a julho de 2025, alcançando o maior patamar do ano.[1][12] A valorização foi puxada pela recuperação das cotações em Chicago, acima de US$ 12,5 por bushel, e por prêmios elevados no mercado brasileiro, que chegaram a R$ 156 por saca em alguns negócios.[1]

Apesar do bom momento para o grão, a indústria de processamento não acompanhou o movimento. A margem bruta de esmagamento recuou 20,52% em julho frente ao mês anterior, chegando em média a R$ 435,43 por tonelada, reflexo direto do maior custo de aquisição da soja, que superou os ganhos com farelo e óleo.[12] A oferta crescente desses coprodutos e a demanda mais fraca por óleo para consumo humano e industrial, em meio à desaceleração econômica, limitaram a recomposição das margens.[1][12]

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Por que importa para o agro

Para o produtor, o ambiente de preços mais altos traz alívio parcial após safras marcadas por custos elevados e margens apertadas no campo.[4][9][14] No entanto, a melhora não é homogênea: quem travou vendas antecipadas em patamares menores ou enfrentou quebra de produtividade tem recuperação limitada, e a renda continua pressionada por insumos caros e crédito restrito.[4][11][14]

Na indústria, a combinação de soja valorizada, demanda reprimida por óleo e concorrência do DDG de milho na nutrição animal estreita a lucratividade e pode reduzir o ritmo de esmagamento.[1][12] Um processamento mais contido tende a afetar a oferta de farelo e óleo, a dinâmica dos contratos com frigoríficos e fabricantes de ração e a capacidade da cadeia de absorver o volume de soja produzido em Mato Grosso, maior estado produtor do país.[13][5]

Dados e contexto

IndicadorValor / Variação

| Preço médio da soja em MT (jul/26) | R$ 116,74/saca[1][12] | | Variação vs. jun/26 | +9,49%[1] | | Variação vs. jul/25 | +3,91%[1] | | Margem bruta de esmagamento (jul/26) | R$ 435,43/t[12] | | Queda da margem vs. jun/26 | -20,52%[12] | | Chicago | acima de US$ 12,5/bu[1] | | Prêmios internos | até R$ 156/saca[1] |

Segundo o Imea, a alta da soja ocorre num ambiente de custos de produção elevados, com estimativa de R$ 50,27 bilhões para custear a safra 24/25 em Mato Grosso, o que reforça a necessidade de gestão rigorosa de caixa e comercialização.[4] Produtores também apontam maior dependência de financiamento externo, juros em patamar alto e incertezas ligadas à reforma tributária e ao próximo Plano Safra, fatores que podem limitar investimentos e a capacidade de travar preços com segurança.[4][11][14]

A demanda esperada por óleo de soja para biodiesel não se concretizou em julho, reduzindo um importante canal de escoamento para a indústria.[1] Ao mesmo tempo, a oferta de DDG de milho ganhou espaço na formulação de ração, competindo com o farelo de soja e pressionando os prêmios pagos pelo coproduto.[1][12]

O que observar daqui pra frente

Nos próximos meses, o mercado tende a ficar mais calmo, com menor ritmo de exportação de soja e foco maior no esmagamento interno.[1][12] Produtores devem acompanhar de perto câmbio, prêmios nos portos, política de biodiesel e custos de insumos para definir travas de preço e estratégias de venda, enquanto a indústria precisa ajustar volumes, estoques e contratos para enfrentar margens apertadas sem perder competitividade na cadeia de grãos e proteína.

Fontes

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