Soja pode perder até 55% da produtividade sem manejo fitossanitário
Estudo da UFV aponta que a falta de controle de pragas, doenças e plantas daninhas pode reduzir a produtividade da soja para 32 sacas por hectare.
A soja pode perder até 55% da produtividade quando a lavoura fica sem controle de pragas, doenças e plantas daninhas. Estudo da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em parceria com a CropLife Brasil, estima que o rendimento cairia para 32 sacas por hectare, contra 72 sacas em um cenário de controle considerado ótimo.
O que aconteceu
A pesquisa simulou diferentes níveis de proteção da lavoura e avaliou quatro doenças, cinco pragas e nove espécies de plantas daninhas. Entre os problemas analisados estão a ferrugem-asiática, a mancha-alvo e a mosca-branca.
No cenário de controle parcial, com proteção de até 40% da plantação, a produtividade estimada chegou a 52 sacas por hectare. O resultado representa uma redução de 28% em relação ao manejo ótimo, que alcançaria 72 sacas.
Sem qualquer controle, o rendimento cairia para 32 sacas por hectare. O estudo também calculou uma perda potencial de 121,3 milhões de toneladas, avaliada em R$ 223,5 bilhões.
Por que importa para o agro
O resultado mostra que o manejo fitossanitário interfere diretamente na rentabilidade da soja. A ausência de monitoramento e controle reduz a produção por área, aumenta a necessidade de expansão agrícola e pode comprometer o abastecimento da cadeia de grãos.
Para compensar a produção perdida no cenário sem manejo, seria necessário plantar aproximadamente 33,5 milhões de hectares adicionais, área próxima à extensão territorial de Goiás. A menor oferta também poderia elevar o preço da soja em até 49%, segundo a simulação.
O impacto não se limita ao produtor. Indústrias de farelo e óleo, tradings, exportadores, transportadores e consumidores de proteína animal seriam afetados por uma oferta menor e por custos mais altos.
Dados e contexto
- 72 sacas por hectare: produtividade estimada com controle ótimo.
- 52 sacas por hectare: resultado projetado com controle parcial.
- 32 sacas por hectare: produtividade sem controle fitossanitário.
- 55%: perda estimada no cenário sem manejo.
- R$ 223,5 bilhões: valor associado à perda potencial de produção.
- 49%: possível alta nos preços diante da redução da oferta.
O manejo integrado reduz aplicações desnecessárias e combina monitoramento, práticas culturais, cultivares adequadas e uso correto de defensivos. A decisão deve considerar o nível de infestação e as recomendações técnicas para cada região.
O que observar daqui para frente
O produtor deve acompanhar a lavoura desde a implantação, com inspeções frequentes e identificação correta dos organismos presentes. O planejamento precisa incluir controle de plantas daninhas, monitoramento de pragas, atenção às condições favoráveis às doenças e aplicação de produtos dentro das recomendações técnicas. A eficiência do manejo dependerá da integração dessas medidas, e não de aplicações isoladas.
Fontes
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