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Ubarana vira alternativa de renda para mulheres da pesca em Magé

Valorização da ubarana em Magé abre nova frente de renda para pescadoras artesanais e fortalece a cadeia do pescado na Baía de Guanabara.

22 de agosto de 2026 4 min de leitura
Ubarana vira alternativa de renda para mulheres da pesca em Magé

A ubarana, peixe antes pouco valorizado na Baía de Guanabara, começou a ganhar espaço comercial em Magé e se tornou fonte importante de renda para mulheres da pesca artesanal. Ao organizar oferta, melhorar processamento e acessar novos canais de venda, grupos de pescadoras passaram a transformar um pescado subaproveitado em produto com preço definido e demanda crescente.

O que aconteceu

Em comunidades pesqueiras de Magé, a ubarana era vista como peixe de baixo valor, muitas vezes descartado ou usado apenas para consumo interno. Com apoio de projetos locais voltados à pesca artesanal, mulheres passaram a estruturar a captura, limpeza, beneficiamento e comercialização da espécie, criando um fluxo de venda regular.

O trabalho envolveu padronização de cortes, experimentação de preparos culinários e apresentação mais profissional do peixe para feiras, mercados e restaurantes. A partir daí, clientes passaram a reconhecer a ubarana como opção acessível de pescado fresco, o que estimulou aumento da procura e consolidou preços mais estáveis.

Além da comercialização in natura, algumas mulheres iniciaram produção de derivados, como bolinhos e filés empanados, agregando valor e aproveitando melhor uma espécie que antes não gerava retorno financeiro relevante.

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Por que importa para o agro

A valorização da ubarana em Magé mostra como a pesca artesanal pode ampliar renda ao transformar espécies subvalorizadas em produtos comercialmente viáveis. Isso reduz desperdício, diversifica o portfólio de pescados ofertados ao consumidor e diminui a dependência de poucas espécies de maior valor, ajudando a equilibrar pressão de pesca em estoques mais explorados.

Para o produtor artesanal, abrir mercado para a ubarana significa ocupar melhor a capacidade de pesca e de processamento já existente, com baixo investimento adicional. Para a cadeia do pescado, o movimento fortalece a participação feminina em etapas de transformação e venda, melhora a organização comunitária e cria casos de sucesso que podem ser replicados em outras regiões costeiras.

Dados e contexto

Estudos sobre pesca artesanal indicam que mulheres representam parcela expressiva da força de trabalho na cadeia, muitas vezes sem visibilidade em estatísticas oficiais. Em levantamentos recentes, entidades e universidades têm apontado participação feminina superior a 40% em alguns territórios, principalmente em limpeza, processamento e comércio.

A Baía de Guanabara concentra comunidades pesqueiras que convivem com desafios como poluição, redução de estoques e dependência de atravessadores. Iniciativas de comercialização coletiva, com infraestrutura de frio e transporte, já mostraram capacidade de movimentar centenas de milhares de reais em poucos meses, quando há organização comunitária e foco em valor agregado.

A ubarana, espécie comum em baías e estuários da costa brasileira, é conhecida na pesca esportiva, mas ainda pouco explorada comercialmente em várias regiões por ser considerada de carne espinhosa. Ao desenvolver técnicas de preparo e cortes que facilitem o consumo, pescadoras conseguem ampliar aceitação do peixe e ocupar nichos de mercado sensíveis a preço.

IndicadorSituação em comunidades artesanais
Participação feminina na pesca artesanalsuperior a 40% em vários territórios

| Espécies com maior atenção comercial | tradicionalmente poucas, com alta pressão de pesca | | Potencial da ubarana | abundante em baías, pouco aproveitada para venda |

Instituições como MAPA e IBGE vêm ampliando levantamentos sobre pesca artesanal e gênero, enquanto projetos de extensão universitária e organizações locais atuam na capacitação em boas práticas, processamento e empreendedorismo feminino na pesca.

O que observar daqui pra frente

Para frente, o avanço da ubarana como produto comercial em Magé depende da manutenção de qualidade do pescado, da organização das pescadoras em associações e do acesso contínuo a infraestrutura de frio e canais de venda. Há oportunidade para ampliar o portfólio de derivados, conquistar restaurantes de comida regional e integrar esses grupos a políticas públicas de compras institucionais, desde que se garanta manejo responsável dos estoques e preços que remunerem de forma justa o trabalho das mulheres da pesca.

Fontes

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