Manejo

Abelha mandaguari eleva em até 67% a produção de café arábica

Estudo da Embrapa mostra que o manejo da abelha mandaguari pode aumentar em até 67% a produção de frutos de café arábica em lavouras convencionais.

05 de julho de 2026 4 min de leitura
Abelha mandaguari eleva em até 67% a produção de café arábica

Estudo conduzido pela Embrapa Meio Ambiente e parceiros mostrou que o manejo da abelha nativa sem ferrão mandaguari (Scaptotrigona depilis) pode aumentar em até 67% a produção de frutos de café arábica em lavouras convencionais.[8] A pesquisa reforça a polinização manejada como ferramenta direta de ganho de produtividade e de sustentabilidade para a cafeicultura.[1][8]

O que aconteceu

Pesquisadores instalaram colônias de abelha mandaguari em fazendas de café arábica em São Paulo e Minas Gerais, em condições reais de produção.[4][8] As colônias foram posicionadas antes da florada, em densidade próxima de 10 colônias por hectare, para avaliar o efeito sobre a frutificação.[4]

O aumento de produtividade foi medido comparando ramos localizados próximos às colônias com ramos mais distantes.[1][8] Nos ramos próximos, a produção de frutos subiu em até 67%, evidenciando a eficiência da mandaguari como polinizadora, inclusive em cultivares autocompatíveis, capazes de se autopolinizar.[1][2][4][8]

Em média, o ganho de produtividade ficou em torno de 24% nas demais fazendas avaliadas, com uma área excepcional puxando o resultado máximo de 67%.[3] Os dados foram publicados na revista científica Frontiers in Bee Science, dando robustez técnica ao estudo.[1][2][4][8]

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Por que importa para o agro

Para o produtor de café arábica, o uso de abelhas nativas manejadas surge como alternativa de incremento de produtividade sem mudança de cultivar ou aumento de insumos químicos.[1][2][4][8] A tecnologia se encaixa em propriedades convencionais e pode ser incorporada a sistemas já consolidados de manejo.

O estudo mostra também compatibilidade entre polinização suplementar e manejo fitossanitário das lavouras.[1] Isso abre espaço para modelos de produção que conciliem ganho econômico com conservação de polinizadores, agregando valor em certificações de sustentabilidade e em mercados exigentes.

Dados e contexto

A pesquisa conduzida pela Embrapa Meio Ambiente e instituições parceiras traz alguns números-chave:[1][2][3][4][8]

IndicadorResultado
Ganho máximo de produção em ramos próximos às colônias**até 67%**
Ganho médio de produtividade nas fazendas avaliadascerca de **24%**
Espécie utilizada**Scaptotrigona depilis** (mandaguari)
Tipo de abelhanativa, **sem ferrão**
Densidade de colônias~**10 colônias/ha**
Ambiente de estudofazendas convencionais em SP e MG

Os pesquisadores destacam que, mesmo em cultivares autocompatíveis, em que a planta se autopoliniza, a presença ativa da mandaguari gera frutificação mais robusta.[1][2][4][8] O mecanismo envolve maior troca de pólen entre indivíduos geneticamente diferentes, reduzindo problemas de autopolinização e aumentando o vigor dos frutos e sementes.[3][9]

O trabalho se soma a evidências internacionais sobre o papel dos polinizadores na produtividade de cultivos perenes, inserindo as abelhas nativas brasileiras como variável produtiva de primeira ordem na cafeicultura.[4]

O que observar daqui pra frente

Produtores e técnicos devem acompanhar protocolos de meliponicultura aplicada ao café, avaliando custos de instalação de colônias, interação com defensivos e impactos em diferentes regiões produtoras. A adoção em escala pode abrir oportunidades em nichos de café sustentável e aumentar a resiliência da produção frente a estresses climáticos, desde que haja paisagem favorável aos polinizadores e manejo integrado bem planejado.[3][4][8]

Fontes

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