Manejo

El Niño deve atrasar início do plantio da safra 2026/27

Fenômeno El Niño pode atrasar chuvas no Centro-Oeste e no Matopiba e pressionar o calendário de soja e milho da safra 2026/27.

06 de setembro de 2026 4 min de leitura
El Niño deve atrasar início do plantio da safra 2026/27

O fortalecimento do El Niño para a primavera de 2026 aumenta o risco de atraso das chuvas no Centro-Oeste, Matopiba e partes do Sudeste, comprometendo o início do plantio da safra 2026/27 de soja e milho. Com previsões apontando precipitação abaixo da média em grande parte do centro-norte do Brasil e concentração de chuvas no Sul, o produtor terá que ajustar calendário, manejo e investimentos para reduzir perdas de produtividade.

O que aconteceu

Boletins recentes do Painel El Niño 2026–2027, coordenado por INPE, INMET, Cemaden e outras instituições federais, indicam probabilidade superior a 90% de ocorrência de um El Niño muito forte entre setembro e novembro de 2026. A expectativa é de chuvas acima da média na Região Sul, especialmente Rio Grande do Sul, e abaixo da média no Norte, Nordeste e parte do Brasil Central.

Esse padrão climático tende a atrasar o início das chuvas regulares na primavera em áreas de soja e milho do Cerrado, como Mato Grosso, Goiás, Tocantins, Bahia e Piauí. Com solo mais seco e altas temperaturas, o estabelecimento da safra de verão fica mais difícil, aumentando o risco de falhas de germinação e necessidade de replantio.

Agrometeorologistas ouvidos por veículos especializados destacam que, se o atraso das chuvas se confirmar, o plantio da soja pode ser empurrado para novembro em muitas regiões. Isso reduziria a janela ideal para o milho segunda safra, que normalmente é semeado entre fevereiro e março, elevando a exposição a seca e calor na fase reprodutiva.

Por que importa para o agro

Para o produtor, o principal impacto é sobre calendário de plantio, risco produtivo e custo. Janelas mais curtas para semear soja e milho pressionam operações de plantio, exigem maior capacidade de máquinas e podem levar ao plantio em condições climáticas menos favoráveis. Isso aumenta a chance de queda de produtividade e reduz margem em um cenário de custos elevados.

No mercado, atrasos na safra 2026/27 podem alterar a formação de preços internos e externos de soja e milho. Redução de potencial produtivo no Cerrado, que concentra boa parte da produção nacional, tende a enxugar oferta, enquanto chuvas abundantes no Sul podem favorecer parte da produção, mas também ampliar risco de excesso de umidade, doenças e dificuldade de colheita.

Dados e contexto

Instituições brasileiras de clima e pesquisa vêm detalhando o quadro para 2026/27:

  • INPE, INMET, Cemaden e Funceme apontam chuvas abaixo da média no centro-norte do país entre agosto e outubro de 2026 e chuvas acima da média na Região Sul no mesmo período.
  • Nota técnica conjunta divulgada em junho indica probabilidade superior a 95% de persistência das condições de El Niño até o início de 2027.
  • Embrapa cita chance entre 97% e 99% de permanência do El Niño até o começo de 2027, com cerca de 63% de atingir intensidade "muito forte" entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.
  • Cemaden reforça que o padrão esperado repete eventos de El Niño fortes ou muito fortes, com aumento significativo das chuvas entre setembro e dezembro na região Sul e seca relativa no Centro-Oeste e Matopiba.
Esses dados dialogam com preocupações já presentes em safras anteriores: atrasos no início da estação chuvosa em Mato Grosso e Goiás costumam reduzir o potencial da soja e empurrar o milho segunda safra para períodos de maior risco de seca, impactando diretamente a produção nacional estimada pela Conab.

Em termos de área e produção, o Brasil planta mais de 45 milhões de hectares de soja e cerca de 22 milhões de hectares de milho, com forte concentração no Cerrado. Qualquer desvio relevante de clima na fase de implantação da lavoura afeta o balanço de oferta e demanda, monitorado por Conab, USDA e mercado internacional.

O que observar daqui pra frente

Nos próximos meses, o produtor deve acompanhar de perto os boletins do Painel El Niño 2026–2027, mapas de previsão sazonal do INPE, INMET e Cemaden, além de relatórios de Conab e consultorias privadas de clima. A decisão prática passa por ajustar época de plantio, escolher cultivares mais tolerantes a estresse hídrico, reforçar planejamento de maquinário e avaliar uso estratégico de irrigação e manejo conservacionista do solo para enfrentar um início de safra potencialmente mais seco no Centro-Oeste e Matopiba.

Fontes

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